Parou, parou, parou… (Coluna Sexta Marcha – GP do Barein)

rosbar

Minha TV está com defeito, só pode ser. Enquanto o resto do mundo, ou boa parte dele, louva o que foi o GP do Barein, acredita que Valtteri Bottas foi punido de forma injusta e acredita que a maior liberdade na hora de escolher os pneus foi ótima para a Fórmula 1, eu vi o contrário. Sim, as 57 voltas foram movimentadas, houve mais ultrapassagens na prova de domingo que somados os GPs de Austrália e Barein do ano passado, mas o desfecho da corrida estava esculpido na pedra desde a largada, assim como deveria ser em Melbourne – a largada ruim das Mercedes atrapalhou o script na ocasião.

Alguém em sã consciência acredita que Kimi Räikkönen, ainda que tivesse mantido a posição quando os sinais vermelhos se apagaram, traria algum risco ao carro 6? Nada, nem ninguém me tira da cabeça que, ao menos por enquanto, as Flechas de Prata estão fazendo um descarado sandbagging, ou, em bom português, escondendo o jogo. Não custa lembrar que, com as regras atuais, quanto menor a exigência nas unidades de potência e câmbios, mais inteiros elas ficam para o GP seguinte. E nem é preciso contar com a agora proibida orientação dos boxes, a boa e velha placa com a vantagem sobre o oponente é suficiente para determinar o ritmo. E você pode até argumentar que, se fosse assim, Lewis Hamilton teria sido o segundo, não o terceiro, mas eu devolvo com o fato de que ele mais uma vez perdeu bastante terreno e, ainda por cima, arrastou por boa parte da prova o defletor lateral direito, que se rompeu no toque com a Williams.

E em boa parte dos casos, não dá para falar em ultrapassagens, mas manobras de pura covardia e chance de defesa zero por parte de quem era superado. Pneu supermacio e DRS nos retões contra médio e asa fechada não é uma disputa justa, tanto que em boa parte dos casos a resistência foi quase nula. Sim, cada um escolheu o que quis em termos de borracha, mas ficou até difícil ter controle sobre o que cada um faria e até onde chegaria com sua aposta. Mercedes e Ferrari podem até se dar o luxo de andar uma especificação acima do ideal, não os demais times. Acabou se destacando quem conta com um equipamento eficiente e acertou nos riscos (a Red Bull, que bate impiedosamente a Renault e a impressionante Haas que, mesmo se mandasse à pista uma SF-16T disfarçada, não teria garantia de andar tão bem).

Falei lá em cima do lance Hamilton x Bottas e sustento que o finlandês não merecia ser punido. As trajetórias de ambos se encontrariam na tomada da Curva 1 e diz a Física que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, mas nenhum deles estava em vantagem, era o caminho a seguir de qualquer modo – quantas vezes ocorreu na Source, em Spa, e ninguém foi considerado culpado. Emoção, ao que tudo indica, haverá do quinto lugar em diante, já que não faltam times de olho e com condições de comandar o segundo pelotão. E se Nico se deixar levar pela conversa mole do rival, que faz pouco caso dos 5 a 0 que vem levando nas corridas desde o fim de 2015, como se pudesse caminhar rumo ao tetra na hora e do jeito que bem entender.

Cena esdrúxula

Sobre o treino de qualificação, o Barein serviu para confirmar a infelicidade da iniciativa para animar a disputa. Na maioria dos casos, os pilotos abdicavam da tentativa bem antes de terem os fatídicos 90 segundos, seja para poupar pneus, seja pela consciência de que não conseguiriam ser mais rápidos. E aí, o reloginho laranja andava sozinho, a pista vazia, emoção zero. Era para termos um duelo sensacional pela pole, mas, faltando dois minutos e 14 para o fim, Hamilton já comemorava a conquista. E a cena da bandeirada sendo mostrada para ninguém soou como o réquiem, o caminho para a execução na cadeira elétrica (não estou falando do carro da Manor, que melhorou muito) dessa infeliz ideia. Bastava deixar como estava. Eu brinquei uma vez e o pior é que não está distante o dia em que a ordem de largada será decidida pela soma de duas voltas cronometradas, mais o tempo da troca de um pneu  (com uma chave de roda das antigas) e o que o piloto gastar para escrever diante das câmeras uma frase determinada pela organização, antes de dar dois pulinhos. Certo está Sebastian Vettel quando lembra que podemos nos referir à categoria como “o circo”, mas que não é necessário apelar para palhaçadas…

pirbar

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s