E o rally volta ao princípio, e logo onde…

Quando se fala em rally hoje, a primeira coisa que vem a cabeça é a corrida feroz contra o cronômetro, levantando poeira, saltando ou botando o carro de lado, numa disputa decidida em segundos. Quase ninguém lembra que a história começou em estradas abertas à circulação e com o formato de regularidade – o desafio era seguir a média estipulada pela organização, com pontos perdidos para quem se adiantava ou atrasava em relação ao tempo ideal. E no Brasil, por um bom tempo, nas décadas de 1970 e 1980, a regularidade era quem mandava, com patrocinadores fortes, envolvimento das montadoras e números impressionantes de praticantes, especialmente no Rio Grande do Sul.

Os Estados Unidos sempre foram um caso a parte – a modalidade não pegava nem por decreto, embora o país tenha recebido o WRC, nos tempos do Rally Olympus, em Washington. Mas as disputas nacionais eram restritas e de pouco apelo. Até que figuras como Ken Block, Travis Pastrana e o inglês David Higgins e a participação de times oficiais de Subaru, Honda e Ford movimentou a coisa e fez a turma da terra do Tio Sam se interessar mais pela brincadeira – você leu aqui que Rhys Millen desenvolveu uma Toyota RAV4 para medir forças com modelos bem menores.

Pois outro fenômeno que cresce a cada dia lá em cima é a história do grassroots motorsport, o automobilismo praticado por pessoas comuns, com carros antigos, simples e algumas vezes sem qualquer modificação específica. Diversão para famílias inteiras, sem gastar praticamente nada. E quem concentra as competições ditas de base é o Sports Car Club of America, ou SCCA. E sabe qual a modalidade que mais ganha espaço no calendário do clube? Sim, ele mesmo, o bom e velho rali de regularidade. No modo mais simples possível, sem uso de GPS ou tecnologias caras. Usa-se estradas regionais de belos visuais, basta um carro de rua emplacado e há vários tipos de disputa – daquela tradicional, que exige andar na média exata, às que obrigam as tripulações a passar por determinados pontos; ou ainda envolvem tarefas e perguntas. Há provas em praticamente todos os estados e para todos os gostos. E não deixa de ser um trampolim para as competições ditas profissionais e o rally de velocidade: se um entre 100 pilotos e navegadores resolver seguir adiante e dar voos mais altos, já teremos gente nova de sobra nos campeonatos principais. Se é simples, barato e atrativo, tem mesmo que dar certo – o curioso é que ocorra num dos países de maior profissionalismo no esporte sobre rodas…

 

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