Quando a porca torce… a Nascar

Primeiro ponto: Tony Stewart é daqueles caras que falam o que pensam e tem o estopim inversamente proporcional ao currículo de vitórias e títulos. Dito isso, não dá para discordar das críticas feitas pelo tricampeão da Nascar a algo que se tornou corriqueiro, por decisão da própria organização. Eu explico, se você ainda não viu ou leu sobre o assunto: numa tentativa de se modernizar e economizar, os fiscais que ficavam ao longo do pitlane controlando as operações nos boxes de cada um dos 40 (eram 43) carros foram substituídos por câmeras, monitoradas em uma sala de controle. O que seria normal, não fosse o fato de que agora não há como flagrar quem resolveu prender os pneus com quatro porcas, em lugar das cinco existentes em cada roda. É aquela história: as regras proíbem, mas, se não dá para provar, não há irregularidade. E a partir do momento que um faz, todos fazem, para não perder décimos de segundo preciosos.

Eis que “Smokey”, que voltava em Richmond depois de se recuperar das fraturas em uma estripulia num buggy fora de estrada disse algo que parecia óbvio – tudo ficará muito interessante até que uma roda não suporte a carga extra e voe nas arquibancadas, ou direto rumo a um concorrente, provocando aqueles estouros de boiada no meio do pelotão popularmente conhecidos como “Big Ones”. Em vez de admitir que errou, a Nascar preferiu multar o piloto/dono de equipe em US$ 35 mil por comentários desrespeitosos, imaginando que a pilotada ficaria quieta e aceitaria sem questionar. Apenas Greg Biffle também abriu a boca, mas a resposta veio devastadora: a associação dos pilotos resolveu bancar o pagamento do valor, endossando o que Stewart afirmou. Ah, e ele sugeriu que, em pleno século XXI, fosse adotado o uso de rodas com um cubo central, como nas principais categorias de monopostos.

E o que faz a organização? Baixa um memorando reforçando que times flagrados com rodas presas apenas por quatro porcas serão exemplarmente punidos, especialmente nas vistorias pré e pós-corrida. Aí começam os problemas. Basta largar e chegar com todas as porcas nos lugares certos e nada acontecerá. Porque durante as paradas os próprios oficiais do campeonato admitem que não podem agora reforçar a fiscalização. E se alguém for flagrado, com certeza sairá dedurando outros, e mais outros, e será uma guerra de acusações e punições. Sem contar que a TV vai, aleatoriamente, mostrar um ou outro culpado, mas certamente não todos.

Rodas de cubo único? Aí vem aquela história de que a categoria é tradicional, evolui lentamente, não é algo para agora. Resumo da ópera: as equipes vão continuar esperando por brechas para agir, quem manda vai tentar fiscalizar, até que aconteça o que previu o multado Stewart. Aí, como ele mesmo lembrou, será tarde demais…

nascarlugs

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