Três corridas, várias histórias (Coluna Sexta Marcha)

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O amigo leitor que me perdoe, mas não há como falar do fim de semana da velocidade apenas pelo prisma do GP de Mônaco, que já deu pano pra manga. Houve mais, o que faz excepcionalmente a coluna ampliar seus horizontes, sempre partindo do que ocorreu nas ruas do Principado. E se é o caso de dizer que a história se escreve certa por caminhos tortuosos, já dá para cravar que o vencedor de 2017 responderá pelo nome de Daniel Ricciardo. Afinal, Lewis Hamilton jogou para longe toda a trapalhada cometida pela Mercedes ano passado – fez uma parada a mais do que Nico Rosberg, totalmente desnecessária, diga-se de passagem – valendo-se… da lambança praticada pela Red Bull. Que pode tentar justificar da maneira que quiser, mas não explica uma distração imperdoável para um time de kart, o que dirá uma escuderia tetracampeã mundial.

Olha que a chuva prometia aprontar das suas, mas Mônaco acabou sendo Mônaco como de costume – não é preciso ter asfalto molhado para ver gente perdendo o ponto de freada e se encontrando intimamente com os guard-rails. Dá vontade é de levar a ideia de Bernie Ecclestone adiante e fazer chover do Canadá a Abu Dhabi, considerando a surpreendente queda de rendimento dos carros prateados. E olha que a coisa começou de véspera, quando Ricciardo marcou seu tempo no Q2 com um pneu macio (diante dos ultramacios de Hamilton e Rosberg), o que valeria um primeiro stint de corrida bem mais longo e a capacidade de abrir uma vantagem confortável.

Mas os céus se abriram, e, ainda assim o carro do touro vermelho mandava soberano, sem ameaça real do tricampeão (Rosberg fez bem em admitir que não tinha um acerto tão competitivo e abrir passagem, lógico que a contragosto, para o companheiro). Ficou até divertido notar como cada um escolheu os pneus para pista seca a seu modo e, no fim das 78 voltas, chegou onde deveria. Ferrari e Williams é que não devem estar gostando nada dessa ressurreição da Red Bull, que finalmente volta a ter uma combinação competitiva de chassi e motor e, por isso, trocou as acusações à Renault pela renovação de contrato por mais um ano, trazendo ainda de volta a Toro Rosso para os times do losango. Max Verstappen mostrou o que dele já se imaginava – nem todo dia será dia de Barcelona e a briga interna na Sauber apenas escancara uma situação próxima não da luz no fim do túnel, mas das trevas completas. Marcus Ericsson foi infantil e precipitado, ainda que tivesse a tal vantagem de desempenho alegada pelo rádio. Como eu falei no post anterior, além de tudo a conta vai sair cara para uma equipe que já vive em estado de penúria – haja fibra de carbono para repor as peças quebradas.

Impressionante foi o pódio quase “clandestino” de Sergio Perez, que passou despercebido para o público diante da luta na ponta, mas apenas confirma a maturidade alcançada pelo mexicano desde a mal-sucedida passagem pela McLaren. Ferrari (que no estilo caranguejo andou para o lado) e Williams (que como já se previa andou para trás) esperam agora ansiosamente pelas ruas de Montreal, onde a cavalaria pode voltar a pesar a favor de ambas. E não deixa de ser irônico que o composto dito ultramacio tenha durado uma eternidade, quando deveria deixar a turma na mão em duas ou três voltas. Lógico que as condições meteorológicas e do asfalto ajudaram, mas não deveria ser para tanto.

Já em Indianápolis…

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O que dizer de um cara que nunca tinha acelerado em um oval até dois meses atrás e, em sua primeira visita ao mais famoso deles coloca o focinho no Troféu Borg & Warner, bebe o jarro de leite e ainda lucra uma bolada? Alexander Rossi calou a minha boca e a de muita gente boa que via nele um piloto apenas discreto em sua trajetória da F-BMW à F-1, em que foi até razoável com a fraca Manor do ano passado, nos apenas cinco GPs que disputou. “Como assim, só porque ganhou as 500 Milhas de Indianápolis ele se tornou ‘the next big thing’?”, você pode perguntar. Não é por aí. A questão é que ser veloz e ao mesmo tempo respeitoso do equipamento na capital de Indiana é coisa para pouquíssimos. Montoya e Castroneves, últimos rookies a dominar a clássica, já conheciam os ovais antes (dos tempos da ChampCar), estavam acostumados à cavalaria e sabiam bem onde estavam pisando. Rossi veio de outro mundo, outra mentalidade, teve de aprender na marra os segredos para ser rápido e constante, escapar das confusões e chegar à reta final em condições de arriscar tudo. Não é a primeira vez que a prova se define desta forma e provavelmente não será a última, faz parte do arsenal exigido para brilhar no oval dos ovais. Basta ver o que fez Max Chilton, assim como Montoya, para entender que o resultado foi mais do que merecido. Ainda duvida? Então perceba que a volta mais rápida da prova foi estabelecida pelo carro 98, não por acaso comandado por um certo Alexander Rossi. E se sentir à vontade em meio aos muros com tamanha facilidade é complicado…

E em Charlotte…

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O que Martin Truex fez para vencer a mais longa prova da temporada da Nascar é de um absurdo sem tamanho. Sabe aquela categoria com 425 mudanças de líder em 300 voltas, gente largando em 40º para cruzar a linha em primeiro e coisas do tipo? Esqueça. Além de largar da pole, o cara simplesmente estabeleceu um novo recorde de comando de uma prova em toda a história da Stock norte-americana. Das 400 voltas, deixou que os adversários liderassem oito. Se há provas tão sensacionais que o sujeito pagaria ingresso novamente se fosse o caso, a Coca-Cola 600, em Charlotte, ficou no extremo oposto. Eu pediria minha grana de volta por propaganda enganosa, já que trenzinho sem ultrapassagem é coisa de outros campeonatos…

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Para suiço ver…

A lambança doméstica da Sauber no movimentado GP de Mônaco (sim, a coluna vem em breve…) é injustificável, mesmo diante de incidentes semelhantes envolvendo times bem mais à frente no grid (alô Mercedes…). Tudo bem que dar ordens de equipe é um direito de quem paga, assim como não segui-las é uma possibilidade de quem corre, mas o que se viu foi uma sucessão de equívocos. Não era preciso ser comentarista de TV para entender que a mensagem de rádio dizia para Felipe Nasr abrir caminho para o companheiro na curva 1 (Sainte-Devote) – especialmente a que veio da chefia, depois da recusa inicial do brasiliense. Ironizar como fez Marcus Ericsson (“pelo visto o rádio dele está com problemas”) foi uma atitude ridícula de quem deveria ter falado de forma direta, algo do tipo “e então, ele não vai abrir caminho mesmo?”. E pelo visto a diferença de desempenho entre os dois carros azuis não era tão grande assim para justificar a manobra, algo totalmente diferente daquilo que se viu entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton. Especialmente considerando que Ericsson já andou ignorando orientações da combalida esquadra suíça, não era o caso de forçar a barra e tentar o impossível, num ato típico de desespero nada sueco. O duplo abandono e as peças quebradas só aumentam o buraco financeiro do time de Peter Sauber, além de desencorajar qualquer patrocinador em potencial, que não vai querer investir para ver sua marca sendo sinônimo de confusão.

Pois eis que, conversas tidas, desculpas teoricamente pedidas e incidente resolvido, a Sauber começa a semana com um post no estilo “bonitinho”, sugerindo um clima bastante diferente daquele que vai se respirar até o GP do Canadá. E considerando que os dois só têm brigado com eles próprios, é de se esperar mais fagulhas dentro e fora da pista… Vamos e venhamos, coraçãozinho é demais… Apesar de que o apelo para esfriar as coisas se justifica… E a mãozinha devia estar virada é para baixo… Quando dizem que não há nada tão ruim que não possa piorar…

Sauber

Agenda de uma dobradinha que virou poker

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Quase que desde que o automobilismo é automobilismo… bom, sem exageros, tiremos algumas décadas da história, que o fim de semana de Memorial Day (para os norte-americanos) é tempo de uma dobradinha que faz qualquer amante de velocidade salivar, especialmente considerando que o fuso horário faz com que, mal termine uma, esteja começando a outra. E o que dizer de um fim de semana que marca não uma edição qualquer das 500 Milhas de Indianápolis, mas a centésima de uma história iniciada em 1911, quando o engenheiro e piloto Ray Harroun e seu Marmon Wasp amarelo cruzaram em primeiro a linha de chegada de um evento que não se sabia até onde poderia chegar. O que era terra virou tijolos, os tijolos deram lugar ao asfalto (tirando o Brickyard Line mantido imaculadamente para saudar a tradição), nem sempre tudo saiu como se esperava, mas a pista de 2,5 milhas ao lado da capital de Indiana se transformou não só no oval mais famoso do mundo, como num local de peregrinação e ode à velocidade, ao risco e à habilidade sobre quatro rodas.

Muitos pagaram com a vida o sonho de acelerar nas quatro retas e quatro curvas que, de perto, parecem ainda mais desafiadoras e estreitas – e é de arrepiar ver as máquinas passando acima dos 370 km/h de média, quanto mais batendo rodas duas a duas, ou três a três. Algumas coisas sobre o centenário não me agradaram, mas ficam para o próximo post, que esse é de celebração. Tanto mais que não dá para esquecer que também tem GP de Mônaco, vivido no ambiente de revolução provocado pela vitória de Max Verstappen e pelo strike das Mercedes. E as ruas do Principado sempre são pródigas em proporcionar surpresas, vencedores inéditos, resultados imprevistos. Como se não bastasse, não estamos falando apenas de uma dobradinha, mas de um verdadeiro poker (pra quem não sabe, expressão do futebol usada na Europa que quer dizer três ou mais)… Charlotte é o palco da prova mais longa (e certamente a segunda mais importante) do calendário da Nascar, as 600 Milhas, que muita gente já tentou fazer depois de encarar Indianapolis. E desta vez ainda há uma das mais sensacionais provas da endurance mundial, as 24h de Nurburgring, com seus quase 200 carros acelerando no meio do inferno verde, uma democrática mistura de GTs de ponta e modelos surrados de turismo; pilotos de currículo repleto e amadores em busca de uma sensação única. É, esse é daqueles finais de semana especiais, que dá vontade de viver em todos os segundos…

  • Em homenagem ao centenário das 500 Milhas, vai uma imagem registrada por este que vos escreve do Marmon Wasp de Harroun, tal como ainda hoje está, na condição de uma das principais atrações do museu na entrada do circuito, até mesmo para se dar conta do salto dado de 1911 até hoje.

 

Internacional
Mundial de Fórmula 1: sexta etapa – GP de Mônaco
Mundial de Turismo (FIA WTCC): quarta etapa – Nurburgring (ALE)
Verizon Indycar Series: quinta etapa – 100ª 500 Milhas de Indianapolis
Endurance: 24h de Nurburgring
GP2: segunda etapa – Mônaco
Europeu de F-Renault: segunda etapa – Mônaco
Nascar Sprint Cup: 13ª etapa – Coca-Cola 600 (Charlotte)
Nascar Xfinity Series: 12ª etapa – Hisense 4K TV 300 (Charlotte)
Super Formula: segunda etapa – Okayama
Porsche Supercup: Mônaco

Nacional
Super Kart Brasil (SKB): Kartódromo Granja Viana (SP)

Na telinha
Sábado (28)
6h Fórmula 1: GP de Mônaco (treino livre) Sportv
9h Fórmula 1: GP de Mônaco (treino oficial) Sportv
* Q3 transmitido também pela Rede Globo
10h 24h de Nurburgring: live streaming em http://www.24h-rennen.de/en/live-streams/
11h05 GP2: etapa de Mônaco Sportv 3
15h30 Nascar Xfinity: etapa de Charlotte Fox Sports 2
Domingo
4h40 Porsche Supercup (Mônaco) Sportv 2
9h Fórmula 1: GP de Mônaco Globo
13h Verizon Indycar: 500 Milhas de Indianapolis Band/Band Sports
18h55 Nascar Sprint Cup: 600 Milhas de Charlotte Fox Sports 2

Grid definido pela galera

Já dediquei vários posts ao TCR – não o autorama que quem é do meu tempo é capaz de se lembrar – mas a série alternativa de turismo idealizada por Marcello Lotti, o mesmo que “criou” o WTCC para ter o tapete puxado pela Eurosport, emissora que detém os direitos da competição. Começando pela série internacional, que é a mais importante; o conceito, que é de reunir modelos vendidos a quem se interessar pelos departamentos de competição de Seat, VW, Honda e Opel (Subaru e Alfa Romeo participam de forma privada); e as várias séries nacionais e regionais surgidas do mesmo regulamento – Ásia, Alemanha, Itália, Portugal e Benelux (Bélgica/Holanda/Luxemburgo).

Pois é da última que vem o assunto para mais um post da categoria. A TCR International Series tem lá seu regulamento desportivo, mas os demais campeonatos podem inovar em termos de número de corridas por etapa, participação de duplas num só carro, duração das provas, entre outros aspectos. Pois a turma da terra das cervejas, das batatas fritas e dos moinhos de vento resolveu inventar moda. O campeonato da região começou semana passada, em Spa-Francorchamps, e prevê cinco corridas a cada fim de semana, a primeira delas de qualificação, no formato endurance, com troca de piloto.

Até aí nada demais, você há de dizer. Só que… a definição do grid para esta primeira prova nada tem a ver com cronômetro, tempo de volta ou coisa parecida. Prevalece o voto do internauta, num aplicativo do campeonato no Facebook. Que, em Spa, premiou Stephane Lemeret e Tiago Monteiro (ele mesmo, o português que foi pódio no GP dos EUA de 2005, com a Jordan e tem Vagaroso como o sobrenome do meio). Olha que tinha bastante gente boa inscrita, como Tom Coronel, Alexis van de Poele (filho de Marc) e Vincent Radermecker. A parceria da Honda aproveitou bem a deixa e recebeu a bandeirada na frente, o que valeu alguns pontos mas, principalmente, a pole para o primeiro dos quatro sprints. Fico pensando como seria se a moda pegasse e os pilotos fossem obrigados a se desdobrar nas redes sociais para angariar fãs, além de todo o trabalho que já têm, ou no caso daqueles em que não há extremo, são amados ou odiados. Até vale pelo inusitado, mas só enquanto não interferir no andamento das provas e falsear a realidade da pista. Ainda acho que tem modos melhores de brincar com o espetáculo e embaralhar um pouquinho as cartas, o que não faz tão mal assim…

TCR

O pau quebrou no DTM e na Nascar

Quem acha que rivalidades e polêmicas são exclusividade da Fórmula 1 não deve ter visto o que ocorreu no fim de semana em duas das mais seguidas e adoradas categorias de turismo do planeta, o DTM e a Nascar. Na primeira, um bicampeão com bastante autoridade para comentar resolveu rasgar o verbo depois de ter sido tocado na primeira curva da primeira corrida da etapa do Red Bull Ring, e a coisa se transformou em guerra nas redes sociais.

Eu explico: o sueco Matthias Ekstroem (que esse ano danou a ganhar também no Mundial de Rallycross), com a cabeça um pouco mais fria depois do nervosismo inicial, resolveu desabafar no Twitter afirmando que alguns recém-chegados à categoria alemã deveriam aprender a se portar nas disputas, pois ainda não agiriam como rivais dignos. Inicialmente, não citou nomes, mas, conversa vai, conversa vem, logo ficou claro que o alvo principal da ira de Eki era o alemão Maxi Götz (Mercedes), que o jogou pra fora num circuito em que esse tipo de toque é costumeiro – lembram de Wolfgang Ullrich mandando bater em Robert Wickens e Pascal Wehrlein ano passado?

Eis que Ekstroem se recuperou com um segundo lugar na corrida de domingo, mas  Götz resolveu ironizar, dizendo que esperava por mais pegas emocionantes com o adversário da Audi ao longo da temporada, e o caldo entornou. O sueco voltou à carga e, com a ajuda de dois pilotos que certamente merecem o posto no DTM – Gary Paffett e Paul di Resta – pediu algumas aulas de pilotagem para o sophomore (aluno de segundo ano…). E garantiu que paga o jantar para quem conseguir colocar o comportamento de Götz, que veio dos GTs e ainda é mais conhecido pelos óculos que usa, nos eixos. Como a próxima etapa do campeonato é justamente em Norisring, onde totós e rodadas são a ordem do dia, a coisa promete…

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Enquanto isso a Nascar promovia mais uma edição de sua All-Star Race, em Charlotte, que reúne campeões, vencedores de etapas e pilotos classificados em duas seletivas, além do escolhido pelos fãs. Neste ano, o formato da prova milionária (sim, só conta pelo polpudo prêmio) foi definido por Brad Keselowski, à frente do conselho de pilotos, e previa dois segmentos de 50 voltas (com pit-stop obrigatório em bandeira verde) e um sprint final de 13 voltas. Tudo lindo na teoria, mas, se esqueceram de pensar no que ocorreria se um segmento de voltas se aproximasse do fim e uma bandeira amarela  ocorresse. Pois Matt Kenseth esperou até os 45 do segundo tempo, não conseguiu cumprir a parada, chegou a ter uma volta de vantagem sobre o pelotão e acabou punido – o problema é que não haveria como autorizar todos os retardatários a tirar a volta de desvantagem, algo não previsto nas regras.

O próprio vice de competição da categoria, Scott Miller, admitiu que recomendou às equipes que não esperassem até o último momento para entrar, mas que não havia nenhuma obrigatoriedade. “Foi uma situação para a qual não estávamos preparados e não havia nenhuma saída nas regras para resolver o impasse”. Por um bom tempo, os espectadores não entenderam nada, os pilotos não entenderam nada, e o show quase foi para o brejo – o melhor resumo, como não poderia deixar de ser, veio de Tony Smokey Stewart. “Este foi o All-Star mais bagunçado de que participei. Ainda bem que é meu último”. A coisa andou feia…

Velocidade numa agenda caprichada

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Sim, o fim de semana da velocidade é de respeito, e eu não diria nem que é um aquecimento bastante razoável para o próximo, que trará a centésima edição das 500 Milhas de Indianápolis e a infalível dobradinha com o GP de Mônaco (sem contar as 600 Milhas de Charlotte). Afinal, tirando a turma dos GT e da Endurance, que realmente tem pouco a curtir, a lista é extensa, com mundiais sobre duas e quatro rodas; Fórmula E chegando à reta final com a perspectiva de um segundo título brasileiro consecutivo; All-Star Race da Nascar em Charlotte; a temporada da Moto GP pegando fogo em Mugello, casa de Valentino Rossi – e eu espero que desta vez os torcedores do “Dottore” não façam festa com a desgraça de Márquez e Lorenzo.

DTM e Europeu de Fórmula 3 fazem a festa no Red Bull Ring, enquanto o WRC esquenta a região Norte de Portugal, com a sexta etapa da temporada. A foto acima, aliás, foi tirada nas ruas da cidade do Porto, e retrata as duplas reconhecendo o percurso do street stage, único trecho de asfalto em todo o percurso. E quando eu digo esquenta não é exagero – um acidente bobo com o Hyundai I20 de Hayden Paddon e John Kennard provocou um incêndio que simplesmente carbonizou o carro, felizmente depois que piloto e navegador saíram com segurança.

Por aqui, uma Stock Car querendo entrar em crise com times impossibilitados de correr por falta de combustível ($) puxa a fila que tem ainda Marcas, Turismo e Mercedes-Benz Challenge, na renovada Goiânia. Como diria o filósofo, a programação do fim de semana tá boa é “de com força”…

Internacional
Mundial de Rally (WRC): sexta etapa – Vodafone Rally de Portugal
Mundial de Moto GP: sétima etapa – GP da Itália (Mugello)
FIA Formula E: oitava etapa – Berlim (ALE)
GT Open: segunda etapa – Spa Francorchamps
Euroformula Open: segunda etapa – Spa Francorchamps
Fórmula 3.5 V8: terceira etapa – Spa Francorchamps
DTM: segunda etapa – Red Bull Ring (AUT)
Europeu de Fórmula 3: quarta etapa – Red Bull Ring (AUT)
TCR International Series: quarta etapa – Imola (ITA)
Verizon Indycar Series: qualifying para as 500 Milhas de Indianápolis
Nascar Sprint Cup: Charlotte All-Star Race
Nascar Camping World Truck Series: sexta etapa – NC Education Lottery 200 (Charlotte)
Supercars: quinta etapa – Winton (AUS)
Sul-Americano de Fórmula 4: terceira etapa – El Pinar (URU)

Nacional
Brasileiro de Stock Car: terceira etapa – Goiânia
Brasileiro de Rally Cross-Country: quinta e sexta etapas – Rally da Cuesta (Botucatu)
Brasileiro de Turismo: terceira etapa – Goiânia
Brasileiro de Marcas: segunda etapa – Goiânia
Mercedes-Benz Grand Challenge: segunda etapa – Goiânia
Mineiro de Kart: última etapa – RBC Racing (Vespasiano)

 

Na telinha

Sábado (21)
5h10 Europeu de F-3: etapa da Áustria (live streaming em http://www.fiaf3europe.com/)
7h30 Mundial de Moto GP: treinos oficiais GP da Itália Sportv
8h50 Europeu de F-3: etapa da Áustria (live streaming em http://www.fiaf3europe.com/)
9h30 Fórmula E: etapa de Berlim Fox Sports
11h45 Stock Car: treino oficial etapa de Goiânia Sportv
14h30 Nascar Truck: etapa de Charlotte Fox Sports 2 (* remarcada devido à chuva)
22h Nascar Sprint: All-Star Race Fox Sports 2

Domingo (22)
5h40 Europeu de F-3: etapa da Áustria (live streaming em http://www.fiaf3europe.com/)
6h Mundial de Moto GP: GP da Itália Sportv
9h15 TCR International: etapa de Imola (live streaming em http://tcr-series.com/)
12h40 Stock Car: etapa de Goiânia Sportv 2
17h Qualifying 500 Milhas de Indianápolis Band

 

Brincadeira de criança (Coluna Sexta Marcha – GP da Espanha)

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Então testemunhamos mais uma vez a história sendo feita diante de nossos olhos e um moleque que até ano passado não podia dirigir o próprio carro até a pista se tornar o mais jovem vencedor de um GP do Mundial de Fórmula 1 em 66 anos, e muito provalmente para sempre (se as regras baixadas pela FIA depois da chegada de Max Verstappen ao circo não mudarem, só mesmo um maior de idade que já estreie no alto do pódio pra conseguir façanha ainda mais impressionante). Claro que achei o máximo a tranquilidade de veterano com os pneus na última lona diante de um Kimi Räikkönen que reencontrou o prazer de pilotar, a festa no pódio, o hino holandês executado pela primeira vez. E só posso dizer que Helmut Marko tem uma estrela do tamanho do mundo – se em vez da vitória fosse o garoto o protagonista de uma lambança nos primeiros metros e estaríamos todos pedindo a volta do coitado Daniil Kvyat. Não foi o que aconteceu, como você bem sabe.

O que não quer dizer que não haja um lado negativo (ou menos positivo) em tudo isso. Antes de qualquer coisa, qualquer comparação com uma das lendas do esporte, seja ela quem for, é totalmente descabida. Pular do kart para a F-1 no espaço de três anos era algo impensável não porque simplesmente não se fazia, mas porque realmente, na prática, um moleque, por mais talentoso que fosse, não conseguiria. Ayrton Senna passou pela F-Ford; Michael Schumacher pela F-König, Sebastian Vettel pela F-BMW, Alain Prost pela F-Renault, Nelson Piquet pela Super Vê e por aí vai. Lembre que há 15, 20 anos, simuladores capazes de reproduzir, ao menor detalhe, cada característica de um traçado, era algo digno de filme de ficção científica, no máximo havia um videogame ou outro. E por mais que os testes de pista fossem liberados, sempre custaram caro – o único caso que me vem à cabeça de piloto que teve tudo para se adaptar como quis foi Jacques Villeneuve. Hoje é impensável que um piloto do circo chegue a uma pista (mesmo as que conhece por ter andado 10, 15 vezes) sem boas horas naquelas geringonças com jeitão de nave espacial.

Outro ponto que me intriga é a história que ouvi, desde os tempos do kart, de que papai Jos nunca pegou leve com o filho – e nas duas vezes em que pude acompanhá-lo de perto, vi no mínimo muitas caras sérias e nada da tranquilidade que por vezes um adolescente deve ter. Não estou dizendo que Max foi obrigado a escolher seu caminho – com pai e mãe pilotos dificilmente ele optaria pelo futebol, mas muita gente respeitável no meio dos carrinhos jurava que as derrapadas do garoto eram tratadas aos gritos e com alguns tapas. Fico com o benefício da dúvida, mas acho complicado jogar tamanha pressão sobre ombros tão jovens – e não é só no automobilismo, mas praticamente em todas as modalidades. Não sei até que ponto os sorrisos eram de alegria, por ter conquistado tal feito, ou de alívio, por não ter frustrado a expectativa da família – tomara mesmo que a primeira hipótese tenha prevalecido. E se o mais novo piloto da família Verstappen será realmente uma lenda, um colecionador de vitórias e títulos, é cedo pra saber, mas alternância e caras novas sempre são boas coisas para o circo. Não há dúvida de que ele está mais pra Vettel do que pra Maldonado, considerando os dois últimos a causar expressões de espanto e surpresa. E para encerrar a parte de quem comemorou, faltou alguém avisar no fone do doutor Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno que a jovem senhora ao lado de Christian Horner nos pés do pódio não era, nem nunca foi, Sophie Kumpen, a mãe de Max, mas Geri Halwell, a eterna Spice Girl, casada com o diretor da Red Bull…

Nada a comemorar, antes pelo contrário

Para que a história fosse feita em Montmeló, era necessário que algo extraordinário acontecesse, e efetivamente ocorreu. É impressionante como Lewis Hamilton tem largado mal desde que a FIA vetou as regulagens ditadas pelos engenheiros no caminho dos boxes para o grid, e agora que não há mais duas embreagens, apenas uma. E o desespero em recuperar o terreno perdido ainda nos primeiros metros era justificado, já que, do contrário, lá iria Nico Rosberg rumo a uma tranquila oitava vitória consecutiva (você duvida?). A tal justificativa da Mercedes de que o alemão esqueceu de voltar a mistura ar/combustível para as condições de corrida é que pode ser uma tremenda de uma desculpa, ainda que emcampada e aceita pela FIA. Ainda que o alemão tenha freado muito antes da hora para surpreender o tricampeão mundial – e se foi isso, trata-se de malandragem perfeitamente aceitável – vale a lógica do acidente de trânsito (quem bateu pela traseira é que leva a culpa). Não foi o primeiro incidente, dificilmente será o último, mas a situação desfavorável agora é a do carro 44, que vai vendo o tetra cada vez mais distante. Rivalidade de verdade é assim, e vale a mesma lógica usada lá no alto para a decisão de Helmut Marko: se a turma da estrela resolvesse impor ordens de equipe, estaríamos todos aqui clamando por duelos, espetáculo, liberdade de estratégia…

Agenda espalhada pelo mundo

Não tem motivo específico, mas, desta vez me dei conta que a agenda está, além de recheada de boas provas, espalhada literalmente pelos quatro cantos do mundo. É bem verdade que alguns eventos reúnem várias categorias – e a turma da GP2 e da GP3 não aguentava mais esperar pelo retorno efetivo da F-1 à Europa para finalmente poder acelerar – mas preste atenção na lista e em como tem corrida na Espanha, Bélgica, Inglaterra, Itália, Malásia, França e Estados Unidos. Aliás, a etapa da Indy no misto montado dentro do oval mais famoso do mundo é algo que já foi assunto de post aqui, eu era daqueles que acham que a pista deveria manter o charme histórico, não abrir quase todo dia, mas, já que não tem volta e o “month of may” agora é assim, então que seja com uma disputa emocionante que justifique a presença do GP no calendário.
E quando a oferta é muita, e muito boa, fica até difícil escolher, mesmo nos casos em que há transmissão por streaming (ELMS, Europeu de F-3) – como bem diria Raul Seixas, “é tanta coisa no menu que eu não sei o que comer”. Basta ver que, considerando apenas a TV (aberta e paga), dá para começar na madrugada de domingo e terminar no fim da tarde emendando corridas. Lógico que eu não vou reclamar, imagino que você muito menos. E, puxando a brasa para a minha sardinha, é fim de semana de Rally Internacional de Erechim, mais uma vez com a nata da modalidade no continente e máquinas fantásticas brigando pelos lugares no pódio diante de um público apaixonado, de uma organização devotada e de uma festa sem igual. Já disse que não sossego enquanto não estiver esperando minha hora de largada naquelas paragens; este ano não deu, mas, pra quem inventou de correr na Itália e conseguiu, acredito que essa também vai para o currículo. Bom fim de semana de velocidade…
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Internacional
Mundial de Fórmula 1: quinta etapa – GP da Espanha (Montmeló)
GP2: primeira etapa – Montmeló
GP3: primeira etapa – Montmeló
Verizon Indycar Series: quarta etapa – Angie’s List GP of Indianapolis
Mundial de Rallycross (FIA RX): terceira etapa – Mettet (BEL)
European Le Mans Series: segunda etapa – Imola (ITA)
Europeu de Fórmula 3: terceira etapa – GP de Pau (FRA)
Blancpain GT Sprint Series: segunda etapa – Silverstone
Renault Sport Trophy: segunda etapa – Imola (ITA)
Mundial de Superbikes: sexta etapa – Sepang (MAL)
Nascar Sprint Cup: 12ª etapa – AAA400 Drive for Autism (Dover)
Nascar Xfinity Series: 10ª etapa – Ollie’s 200
Nascar Camping World Truck Series: quinta etapa –  Jacob Companies 200 (Dover)
Sul-Americano de Rally(CODASUR): terceira etapa – Erechim
Porsche Supercup: primeira etapa – Montmeló
Nacional
Brasileiro de Fórmula Truck: segunda etapa – Campo Grande (MS)
Brasileiro de Rally: segunda etapa – Erechim (RS)
Na telinha
Sexta (13)
19h Nascar Camping World – etapa de Dover     Fox Sports 2
Sábado (14)
5h55   Fórmula 1: GP da Espanha (terceiro treino livre)         Sportv
9h       Fórmula 1: GP da Espanha (treino oficial)                  Sportv (*)
(*) a Globo transmite o Q3
10h35   GP2: etapa da Espanha                               Sportv 2
12h10   GP3: etapa da Espanha                               Sportv 2
21h   Nascar Xfinity – etapa de de Dover     Fox Sports 2
Domingo (15)
4h10      GP3: etapa da Espanha                               Sportv
5h20      GP2:  etapa da Espanha                               Sportv
6h40      Porsche Supercup: etapa da Espanha             Sportv
9h          Fórmula 1: GP da Espanha                          Globo
13h        Brasileiro de F-Truck: etapa de Campo Grande   Band
14h        Nascar Sprint Cup: etapa de Dover               Fox Sports 2

Não era o caso de estragar a brincadeira…

Depois que eu me dignei a comentar a coragem de Nelsinho Piquet em encarar a molecada feroz do Europeu de F-3 no GP de Pau, eis que me vem a comissão de monopostos da FIA, presidida por Stefano Domenicali, e resolve estragar a festa. Negou a autorização ao piloto brasileiro sob a alegação de que isso desvirtuaria o objetivo da categoria-escola, que é o de formar adolescentes para os próximos passos rumo ao topo. Justamente quando eu lembrava que um dos grandes baratos dos anos mais românticos do esporte é que mesmo campeões mundiais não se faziam de rogados e, ao mínimo convite, trocavam a F-1 pela F-2 ou o que mais fosse, um pouco pela questão financeira e muito pelo prazer de acelerar.

Eu achei e continuo achando um tremendo tiro no pé da entidade máxima do automobilismo, que poderia ser menos rígida e se inspirar no que se faz nos EUA. O mesmo Nelsinho foi convidado pela mesma equipe Carlin para disputar duas etapas da Indy Lights ano passado e ninguém gritou. Pelo contrário, isso só aumentou o interesse pela categoria, chamou a atenção, rendeu artigos, fotos, foco. E seria o mesmo com a F-3.

Sem contar que, se alguém tem a perder nessa história é o filho do tricampeão mundial, não seus quase adversários (entre eles o irmão, Pedro). Os meninos estão afiados, conhecem os Dallara como a palma das mãos, passaram horas em simuladores e estão acostumados aos pneus Hankook. Já Nelsinho teria de se readaptar à menor potência, ao carro, conhecer o traçado, evoluir ao longo do fim de semana. Ninguém disse que ele chegaria dando uma aula de pilotagem ou dominando com facilidade – e ele teve humildade suficiente para dar a cara a tapa sabendo que poderia ser dominado pela garotada. E que incentivo melhor para o estrelato poderia ter um moleque que poderia bater no peito e dizer que ganhou de um cara que foi ao pódio na F-1, foi campeão da F-E, duelou com Lewis Hamilton na GP2 e venceu provas na Nascar? No fim das contas, perderam todos em nome de uma norma discutível – engraçado é que, num dado ponto, foi possível um menino de 17 anos disputar um GP de F-1, mas não um cara de 30 bater rodas com a molecada. Pena…

‘A Cursa’ a mais de 100…

Seria uma tremenda maldade falar da centésima edição da Targa Florio antes do evento propriamente dito e simplesmente ignorá-lo depois, tanto mais que não era questão apenas da terceira etapa do Campeonato Italiano de Rally (CIR), mas de uma série de homenagens e cerimônias para marcar a importantíssima marca alcançada pela prova siciliana, que nasceu do sonho do conde Vincenzo Florio, chegou a valer pelo Mundial de Endurance e precisou renovar seu formato para seguir existindo.

E não é qualquer corridinha que reúne, para um desfile de modelos que fizeram história ao longo de todo esse tempo, nomes como Vic Elford, Nino Vacarella, Sandro Munari, Arturo Merzario, Gijs Van Lennep, Andrea de Adamich, um certo Jean Todt, que muitos podem não se lembrar, mas foi navegador e dos bons, e outro ‘certo’ Helmut Marko, o mesmo que cobrou a saída da Targa do Mundial, na década de 1970, por considerá-la perigosa demais para a época – vale lembrar que o Piccolo delle Madonie, o traçado então usado, media impressionantes 72 quilômetros, e foi o menor dos três usados para as disputas de resistência. Pois Marko, que já havia retornado ano passado ao lado de Daniel Ricciardo para um belo vídeo da Red Bull, voltou a subir numa Alfa Romeo 33tt e, festejado como só os italianos sabem fazer, preferiu dizer que era perigoso, mas que, uma vez baixado o capacete, o negócio era sentar a bota.

Dito isso, a prova propriamente dita teve alguns destaques. A começar pelo formato escolhido para as etapas do CIR este ano – cada dia conta como uma etapa independente, tem seu vencedor, e o melhor na soma dos dois dias vale apenas… para as estatísticas. O que, nesse caso, foi ótimo, já que Paolo Andreucci e a mulher, Anna Andreussi, foram com toda a justiça os mais rápidos – ele pela décima vez, o que é o recorde absoluto, qualquer que seja o formato. E a prova entre os históricos foi dominada por… Eric Comas, o francês ex-piloto de F-1 (aquele mesmo salvo por Ayrton Senna em Spa-Francorchamps), com uma Lancia Stratos. Um belo desfecho para um monumento que tem tudo para seguir desafiando os anos e bater novos recordes. Salve “A Cursa”…

comastarga targa2016