Salada russa (Coluna Sexta Marcha – GP da Rússia)

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Nada mais apropriado do que uma corrida em território russo, diante (ao menos nas voltas finais) de Vladmir Putin e um séquito de seguranças dignos da melhor tradição da KGB para começarem as conversas de teoria da conspiração, mais uma vez. Daniil Kvyat bateu de propósito em Sebastian Vettel – duas vezes, ainda por cima – e Lewis Hamilton está sendo voluntariamente boicotado pela Mercedes para que Nico Rosberg aproveite a hegemonia das Flechas de Prata e finalmente leve seu campeonatinho para casa. Com todo respeito, mas nem uma coisa, nem a outra tem a menor possibilidade de serem reais, ainda que estejamos falando em F-1, onde praticamente tudo é possível.

E ainda que não haja restrições na comunicação entre dirigentes e engenheiros, fico imaginando Toto Wolff em contato direto com a sede de Brixworth (de onde saem as unidades de potência) no fim do Q2, dizendo: “agora, é hora de a águia pousar” (claro que ele não falaria abertamente, nunca se sabe). Aí, um dos especialistas comandados por Andy Cowell aperta uma tecla num computador e… pronto, lá está o carro 44 rateando, com seu piloto inconsolável de volta aos boxes sabendo que não largará além da 10ª posição. Enquanto isso, para disfarçar, Rosberg é pole, vence sem ser ameaçado e recebe cumprimentos secos, nada de excessos de alegria ou manifestações públicas de satisfação com o plano que sai exatamente como o previsto.

Um pouco distante dali, a combinação ardilosamente arquitetada por Christian Horner, Helmut Marko e Dietrich Mateschitz se transforma em realidade. Indignados por verem novamente Sebastian Vettel ser Sebastian Vettel, mas vestindo vermelho, eles juraram vingança. E como Kvyat é quem tem a situação mais a perigo, ele foi o escolhido para o sacrifício. Já que a manobra de Xangai não trouxe o efeito desejado, a ordem dessa vez é acertar a meia-nau, bater com jeito, não deixar roda alinhada com roda. O que ele faz com precisão digna… de agente da KGB, deixando rastros de fibra de carbono ao longo do asfalto.

Situações até divertidas de imaginar, mas que não fazem o menor senso na realidade. Lógico que quem larga em sexto está mais vulnerável a acidentes do que se saísse em segundo, assim como é fato que as equipes de ponta foram um pouquinho além do limite ao desenvolver seu equipamento. Ano passado Kimi Räikkönen era o para-raio da Ferrari e ninguém falava nada, o finlandês era azarado e ponto final. E em 2014, depois de remar um bocado, Hamilton contou com uma bela ajuda da sorte que resolveu se esquecer do companheiro em pleno Silverstone (e em Sochi também). Como o mundo da voltas e a F-1 mais ainda, nem mesmo um time com o nível de supremacia da Mercedes pode se dar ao luxo de brincar de acertar resultado dessa forma, ou se arrisca a ver a coroa dos Construtores escapar, por exemplo. Assim como Kvyat precisa de um pouco de ajuda psicológica e conversa, mas nada mais do que isso – claro, as punições devidas também. Acho exagero considerar que Max Verstappen tem que ocupar seu posto na Red Bull só por dois GPs (e um deles ainda terminou com um pódio).

Sempre os pneus

Dito isso, não sei se o leitor chegou a prestar atenção, mas o desespero dos times em animar a estratégia mexendo nos pneus provocou mais um efeito indesejável. Quanto mais macio o composto, maior a quantidade de detritos de borracha que se desprendem e lotam o asfalto fora da trajetória ideal. Quem precisou encarar a farofa sofreu para manter o carro na pista e, na maioria dos casos, não tentou uma segunda vez. Quando o que se quer é mais ultrapassagens, acaba tendo o efeito oposto. E, aliás, com menos paradas a corrida de domingo teve quase tantas brigas na pista quanto as anteriores, sem aquela maluquice de “quem está com qual pneu e vai parar quantas vezes”. Já disse que não seria uma má ideia retomar a estratégia usada até ano passado também nos pneus. Ou, como diz o próprio Lewis Carl Hamilton, aproveitar esse ano para experimentar tudo e não errar com as regras novas em 2017. Quem sabe?

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