Depois da salada, a roleta russa…

Máquina de moer pilotos. A definição foi usada por vários colegas jornalistas para a Red Bull, e não sem razão – basta lembrar dos casos de Scott Speed, Sebastien Bourdais, Alex Lynn, Callum Illot, Antônio Félix da Costa e Mikhail Aleshin, só para citar alguns, que mostraram mais tarde, sem a pressão de defender o touro vermelho, como podiam ser bons de serviço, ainda que fora da F-1. Há bastante tempo, cheguei na ter nas mãos o pré-contrato de um brasileiro com a gigante dos energéticos e, por mais tentador que fosse (e olha que não havia nenhum time no circo, quanto mais dois), significava praticamente vender a alma… ao touro, que, por sua vez, podia desistir do compromisso quando e como quisesse. Nem preciso dizer que ele rejeitou a oferta e foi ser feliz em outra freguesia.

Tamanha introdução pra falar da substituição de Daniil Kvyat por Max Verstappen na Red Bull, com o “rebaixamento” do russo à Toro Rosso, de onde veio ano passado. E, sem alarde, de forma polida e focada, somou três pontos a mais do que o louvado em verso e prosa Daniel Ricciardo, que havia vencido três GPs em 2014. Além disso, apenas uma vez o time da tríade Mateschitz/Marko/Horner foi ao pódio este ano, na China, e com quem? Sim, com o nativo de Ufa que, no intervalo de uma corrida, se transformou em ameaça pública aos rivais, sinônimo de confusão, cavalo chucro. Será?

Qualquer (ou quase) sujeito que começa no kart e sonha em chegar ao topo sabe, uma vez lá, que reconhecer os próprios excessos e corrigir as falhas é condição imprescindível para a sobrevivência, e não só na Red Bull, mas na categoria. A chance do pobre Kvyat aprontar de novo em Barcelona era próxima de zero… a não ser que seja verdade a história de que ele vinha sendo pressionado com a ameaça de perder o posto já antes de Sochi – e aí não há mental que dê conta. A questão é que Marko e Mateschitz se deram conta de que têm na mão um diamante bruto ainda mais valioso (na teoria, lógico) do que o russo, que foi a solução lógica para ocupar o posto de Sebastian Vettel quando o tetracampeão resolveu mudar de cores. Ok, talvez não tenha sido como o primeiro ano de Alonso na Renault, o primeiro de Räikkönen na McLaren, mas, com um carro – leia-se motor – frágil, dificilmente alguém faria melhor.

Aí, começam os outros peixes grandes do “Piranha Club” a olhar com atenção para Max Verstappen, a fazer-lhe a corte, a Toro Rosso tem motor Ferrari, sabe como é… Pronto, a batida de Kvyat (as duas, se bem que a segunda era quase inevitável) na Rússia veio na hora certa, foi o pretexto ideal para adiantar os planos. E como não há nenhum novo Verstappen batendo à porta a curto prazo com o apoio da Red Bull, Kvyat ganha uma sobrevida na filial. Chance de voltar à Primeira Divisão? Só se, além de vencer o duelo com o novo companheiro Carlitos Sainz, Ricciardo seguir o exemplo de Vettel e retomar a parceria em Maranello. Do contrário… Pobre Kvyat, nova vítima da máquina de moer pilotos…

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