Três corridas, várias histórias (Coluna Sexta Marcha)

hammon

O amigo leitor que me perdoe, mas não há como falar do fim de semana da velocidade apenas pelo prisma do GP de Mônaco, que já deu pano pra manga. Houve mais, o que faz excepcionalmente a coluna ampliar seus horizontes, sempre partindo do que ocorreu nas ruas do Principado. E se é o caso de dizer que a história se escreve certa por caminhos tortuosos, já dá para cravar que o vencedor de 2017 responderá pelo nome de Daniel Ricciardo. Afinal, Lewis Hamilton jogou para longe toda a trapalhada cometida pela Mercedes ano passado – fez uma parada a mais do que Nico Rosberg, totalmente desnecessária, diga-se de passagem – valendo-se… da lambança praticada pela Red Bull. Que pode tentar justificar da maneira que quiser, mas não explica uma distração imperdoável para um time de kart, o que dirá uma escuderia tetracampeã mundial.

Olha que a chuva prometia aprontar das suas, mas Mônaco acabou sendo Mônaco como de costume – não é preciso ter asfalto molhado para ver gente perdendo o ponto de freada e se encontrando intimamente com os guard-rails. Dá vontade é de levar a ideia de Bernie Ecclestone adiante e fazer chover do Canadá a Abu Dhabi, considerando a surpreendente queda de rendimento dos carros prateados. E olha que a coisa começou de véspera, quando Ricciardo marcou seu tempo no Q2 com um pneu macio (diante dos ultramacios de Hamilton e Rosberg), o que valeria um primeiro stint de corrida bem mais longo e a capacidade de abrir uma vantagem confortável.

Mas os céus se abriram, e, ainda assim o carro do touro vermelho mandava soberano, sem ameaça real do tricampeão (Rosberg fez bem em admitir que não tinha um acerto tão competitivo e abrir passagem, lógico que a contragosto, para o companheiro). Ficou até divertido notar como cada um escolheu os pneus para pista seca a seu modo e, no fim das 78 voltas, chegou onde deveria. Ferrari e Williams é que não devem estar gostando nada dessa ressurreição da Red Bull, que finalmente volta a ter uma combinação competitiva de chassi e motor e, por isso, trocou as acusações à Renault pela renovação de contrato por mais um ano, trazendo ainda de volta a Toro Rosso para os times do losango. Max Verstappen mostrou o que dele já se imaginava – nem todo dia será dia de Barcelona e a briga interna na Sauber apenas escancara uma situação próxima não da luz no fim do túnel, mas das trevas completas. Marcus Ericsson foi infantil e precipitado, ainda que tivesse a tal vantagem de desempenho alegada pelo rádio. Como eu falei no post anterior, além de tudo a conta vai sair cara para uma equipe que já vive em estado de penúria – haja fibra de carbono para repor as peças quebradas.

Impressionante foi o pódio quase “clandestino” de Sergio Perez, que passou despercebido para o público diante da luta na ponta, mas apenas confirma a maturidade alcançada pelo mexicano desde a mal-sucedida passagem pela McLaren. Ferrari (que no estilo caranguejo andou para o lado) e Williams (que como já se previa andou para trás) esperam agora ansiosamente pelas ruas de Montreal, onde a cavalaria pode voltar a pesar a favor de ambas. E não deixa de ser irônico que o composto dito ultramacio tenha durado uma eternidade, quando deveria deixar a turma na mão em duas ou três voltas. Lógico que as condições meteorológicas e do asfalto ajudaram, mas não deveria ser para tanto.

Já em Indianápolis…

indy

O que dizer de um cara que nunca tinha acelerado em um oval até dois meses atrás e, em sua primeira visita ao mais famoso deles coloca o focinho no Troféu Borg & Warner, bebe o jarro de leite e ainda lucra uma bolada? Alexander Rossi calou a minha boca e a de muita gente boa que via nele um piloto apenas discreto em sua trajetória da F-BMW à F-1, em que foi até razoável com a fraca Manor do ano passado, nos apenas cinco GPs que disputou. “Como assim, só porque ganhou as 500 Milhas de Indianápolis ele se tornou ‘the next big thing’?”, você pode perguntar. Não é por aí. A questão é que ser veloz e ao mesmo tempo respeitoso do equipamento na capital de Indiana é coisa para pouquíssimos. Montoya e Castroneves, últimos rookies a dominar a clássica, já conheciam os ovais antes (dos tempos da ChampCar), estavam acostumados à cavalaria e sabiam bem onde estavam pisando. Rossi veio de outro mundo, outra mentalidade, teve de aprender na marra os segredos para ser rápido e constante, escapar das confusões e chegar à reta final em condições de arriscar tudo. Não é a primeira vez que a prova se define desta forma e provavelmente não será a última, faz parte do arsenal exigido para brilhar no oval dos ovais. Basta ver o que fez Max Chilton, assim como Montoya, para entender que o resultado foi mais do que merecido. Ainda duvida? Então perceba que a volta mais rápida da prova foi estabelecida pelo carro 98, não por acaso comandado por um certo Alexander Rossi. E se sentir à vontade em meio aos muros com tamanha facilidade é complicado…

E em Charlotte…

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O que Martin Truex fez para vencer a mais longa prova da temporada da Nascar é de um absurdo sem tamanho. Sabe aquela categoria com 425 mudanças de líder em 300 voltas, gente largando em 40º para cruzar a linha em primeiro e coisas do tipo? Esqueça. Além de largar da pole, o cara simplesmente estabeleceu um novo recorde de comando de uma prova em toda a história da Stock norte-americana. Das 400 voltas, deixou que os adversários liderassem oito. Se há provas tão sensacionais que o sujeito pagaria ingresso novamente se fosse o caso, a Coca-Cola 600, em Charlotte, ficou no extremo oposto. Eu pediria minha grana de volta por propaganda enganosa, já que trenzinho sem ultrapassagem é coisa de outros campeonatos…

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