Quando correr é um santo remédio (ou o caso de Rachele e Ulysse)

Ulysse Delsaux e Rachele Somaschini. Talvez você nunca tenha ouvido falar dos dois, mas eles têm motivos de sobra para estar no blog, e pelas razões mais nobres. E mais em comum do que a paixão pelo automobilismo e o fato de serem pilotos em categorias de turismo. Os dois encontraram nas pistas uma forma de lidar com problemas bastante sérios de saúde e transformaram a adrenalina de acelerar num instrumento de melhoria das condições de vida, de alerta para suas condições e, no caso da italiana, de levantar apoio financeiro para ajudar nas pesquisas. E com certeza servem de exemplo ao mostrar que as limitações existem muito mais na teoria do que na prática, qualquer que seja o sonho.

Comecemos pela moça, por uma questão de educação. Rachele tem 22 anos e foi diagnosticada com fibrose cística, doença degenerativa que atinge diversos órgãos, a começar pelo pulmão, tornando a cada dia mais difícil a tarefa de respirar – são pelo menos quatro horas diárias de tratamento e a recomendação de praticar atividades ao ar livre, com um estilo de vida saudável. Depois de acompanhar o pai, Luca, numa prova para modelos históricos, ela se apaixonou de tal modo pela velocidade que não só decidiu que disputaria o Campeonato Italiano de Subida de Montanha (CIVM) e o Mini Challenge italianos como ainda conheceu, na equipe, seu namorado. Hoje, no macacão, está bem clara a inscrição “I Love FFC” (a sigla da Fundação de Pesquisa para a Fibrose Cística).

Rachele

“Sempre gostei do automobilismo e, não fosse a minha condição, teria começado no kart quando menina, mas não me dei por vencida. Apesar das limitações e das dificuldades, quero muito viver esse mundo de barulho de motores e emoção. Não é fácil – as vezes preciso de três dias de repouso total para me recuperar de uma corrida curta, e meu sonho era disputar uma prova de longa duração em dupla com meu pai. Depende também do aspecto econômico”, vamos ver, diz a garota, que já guarda troféus não só pelo desempenho na categoria feminina das competições. No capacete, ela leva a inscrição “apenas respire” e seu padrinho nas pistas é ninguém menos que o inoxidável, interminável Arturo Merzario.

Ulysse é ainda mais novo que Rachele – vai completar 19 anos em setembro. E, já menino, começou a manifestar comportamentos típicos da Síndrome de Asperger, que é uma forma de autismo  da qual ainda não se sabe tanto, mas que isola o portador do mundo exterior, fazendo-o viver uma realidade própria, quase impenetrável. Depois de muito procurar, seus pais viram que no automobilismo ele encontrou uma atividade que o fez se integrar, baixar a guarda, mobilizar seu foco. E não é pouca coisa você ser o sétimo colocado na categoria Elite 2 da Nascar Whelen Euro Series, que o blog já mostrou por aqui. O que lhe valeu, aliás, a chance de disputar uma etapa da série K&N Pro East – uma das várias categorias de acesso ao trio principal da Stock norte-americana. E seu chefe de equipe é ninguém menos que Claude Galopin, um dos responsáveis pela aventura da AGS na Fórmula 1, nos anos 1980 e 90.

O francês não apenas mostra uma evolução elogiável no cockpit como também fora dele, menos esquivo e mais integrado com o público. Dois exemplos muito interessantes de como a velocidade pode fazer muito bem à saúde, além de todos os outros benefícios já comprovados pela ciência para quem participa ou assiste.

delsaux3

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