Então foi isso? (Coluna Sexta Marcha – GP da Europa)

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Sim, o visual é muito bonito, o fato de acelerar entre construções históricas bem mais charmoso do que em Cingapura, por exemplo, e a sequência de pé embaixo de 2.200 metros fez com que se registrasse velocidades quase absurdas para um traçado de rua. Mas será que eu fui o único a achar que faltou um algo mais na mais nova fronteira desbravada pelo circo? Não falo nem pela supremacia de Nico Rosberg e pelo fim de semana insosso de Lewis Hamilton, às voltas com um carro caprichoso e com a falta da ajuda que poderia vir via rádio, e agora não pode mais.
As ruas de Baku proporcionaram um belo cenário, não há dúvidas, mas não uma corrida daquelas que ficam na lembrança. Imediatamente me veio à cabeça outro traçado provisório, o de Valência, tão belo quanto, com o mar como testemunha e uma ponte construída especialmente para a passagem dos carros. Foi palco de vitória brasileira, de acidente (s) espantoso (s), mas deixou o calendário sem que ninguém bradasse pela sua permanência ou chorasse sua ausência.
A sensação que o Azerbaijão provoca é a mesma. Algo do tipo, “bom, então já corremos lá, agora vamos voltar às pistas de verdade, um GP da Europa na longínqua república russa está mais do que satisfatório.” Lógico que não será o caso – Bernie Ecclestone não abriria mão da galinha dos ovos de ouro enquanto os milhões de dólares correrem em direção ao circo. Mas acabou que o treino oficial foi tão ou mais emocionante do que a corrida em si.
Uma ou outra ultrapassagem fora do esquema “abriu o DRS no retão, é emparelhar e ir embora” até que houve, assim como as encostadas nos muros tradicionais. E felizmente no domingo não houve zebra solta furando pneu, embora a cena do saco plástico na dianteira da Ferrari de Sebastian Vettel, em qualquer outra pista do mundo (alguma$ menos do que outras) e seria motivo para multa, reprimenda, ameaça de não voltar.
E ver Sergio Perez no pódio deixou há um bom tempo de ser extraordinário (que bom que o mexicano teve apoio para mostrar, depois da frustrada passagem pela McLaren, o quanto havia amadurecido). Hoje eu não me espantaria se ele fosse escolhido para formar dupla com Vettel, mesmo porque o patrocínio das empresas de Carlos Slim já está lá. Com Ricciardo fiel ao touro vermelho até 2018 (e Verstappen mais ainda); um Hulkenberg triturado pelo próprio mexicano e um Bottas que vai pelo mesmo caminho, difícil achar opção melhor caso o simpático e eloquente Kimi Räikkönen decida – ou seja obrigado a – encerrar a carreira. Pelo andar da carruagem, a grande maioria dos times vai mesmo é se concentrar nas mudanças para 2017, já que ameaçar a supremacia prateada só uma vez ou outra. Tomara que a pista de verdade da Áustria traga uma corridinha melhor…
Le Mans
De cortar o coração (mesmo da concorrência) o que ocorreu na reta final das 24h de Le Mans, válidas pelo Mundial de Endurance. A turma da Toyota já se preparava para escalar as grades, balançar as bandeiras e ver seus carros recebendo a bandeirada em formação quando, na penúltima volta, Kazuki Nakajima encostou um TS050 fatalmente ferido. Quem sabe o fascínio que o evento provoca nos nipônicos e a obsessão por vencê-lo (algo que só a Mazda fez e de uma forma surpreendente) imagina como estarão agora os componentes da Gazoo Racing, a emanação esportiva da maior montadora do mundo. A promessa é de retornar ano que vem, mas a sensação que fica é que dificilmente as condições vão se reunir de modo tão favorável quanto nessa edição. Como “carreras son carreras” e a Porsche nada tinha a ver com isso, levou.
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