Teve corrida? Acho que teve (Coluna Sexta Marcha – GP da Hungria)

hamhun

Tudo bem, esperar por ultrapassagens em Hungaroring era tarefa das mais ingratas, mas o problema da 31ª edição do GP no país que um dia fez parte da Cortina de Ferro não esteve na pista. Vai ter gente me chamando de chato, pedindo para  mudar o disco arranhado, mas é difícil ficar quieto diante do que ocorreu fora da pista. Quando parecia que a FIA se mostraria mais flexível com relação à chuva, o que se viu foi um treino oficial transformado em novela – um espirro e lá vinha a bandeira vermelha. Ora, se o cronômetro está correndo, mostre-se a bandeira amarela (as duas, que exigem tirar o pé de verdade), deixe-se o tempo andar e, se não sobrar nada, azar de quem deixou para a última hora, ou perdeu a tentativa boa. Ingrato por vezes, mas deveria ser parte do jogo.

E o pior é que, na única vez em que o amarelo prevaleceu, quem acabou na pole foi beneficiado justamente pela posição que ocupava na pista – e ainda assim sob forte suspeita, que causou alvoroço entre os adversários. Dizer que a largada restabeleceu a justiça pelos lados de Budapest é exagero, mas ainda acho que as corridas devem ser resolvidas mais na pista do que na sala dos comissários.

Falando em pista me veio à cabeça a sensacional ultrapassagem com que Nelson Piquet driblou Ayrton Senna na primeira edição do GP húngaro – os quase 1.000cv do motor Honda empurrando sua Williams, as rodas de lado pela área de escape. Tivesse sido domingo e ele teria sido punido por “desrespeitar os limites do traçado”. Não sei o amigo leitor, mas eu não me diverti nem um pouco ouvindo dezenas de vezes mensagens de rádio do tipo “fulano, esse é o segundo alerta, mais cuidado nas curvas 4 e 11”. A ponto de instalar sensores nas zebras, exagero dos exageros. Mais um pouco e começarão a surgir punições por travadas de pneu nas freadas – por muito pouco atirar a sobreviseira no asfalto não se tornou crime hediondo.

Pior de tudo é que os pilotos também colaboram. Sim, todo mundo sabe o que quer dizer uma bandeira azul mostrada na pista, mas fica parecendo que os retardatários estão, de propósito, complicando a vida dos líderes. Pois pior do que o circuito da Hungria só Mônaco em termos de aperto, não é toda hora que surge um espaço bacana para ajudar. Não justifica os palavrões de Sebastian Vettel ou o gesto desaforado do vencedor Lewis Hamilton em direção a Esteban Gutiérrez. No mais, teve até corrida (teve?). Bom, de todo modo tomara que tenha em Hockenheim, ou o tal do circo vai ficar chato…

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