F-1 de dono novo. E o que temos a ver com isso?

BUDAPEST, HUNGARY - JULY 24: Daniel Ricciardo of Australia driving the (3) Red Bull Racing Red Bull-TAG Heuer RB12 TAG Heuer makes a pit stop during the Formula One Grand Prix of Hungary at Hungaroring on July 24, 2016 in Budapest, Hungary. (Photo by Mark Thompson/Getty Images)

A história, assim como a composição acionária da FOM, que comanda o circo da F-1, é complicada, cheia de meandros. Aquela coisa de uma empresa que é dona da outra, que controla uma holding, que tem sede num paraíso fiscal, um pequeno percentual de fulano, outro de beltrano – e Bernie Ecclestone, que construiu o império, à frente de tudo, embora não mais seja o dono do espetáculo. Por isso, é de se questionar qual a importância de saber que o conglomerado Liberty Media desembolsou US$ 8 bilhões para comprar 18,7% das ações da Delta Topco (a controladora da categoria) que pertenciam à também americana CVC Capital Partners.

O próprio Mr. E, que continuará comandando o boteco até 2019, resumiu a operação comercial a seu jeito: “eles estão entrando para ganhar dinheiro, assim como quem estava antes também queria o mesmo”. Dito assim, seria o caso de imaginar que nada mudará radicalmente nos próximos anos, mas não deve ser dessa forma.

A turma do fundo CVC – daquelas instituições norte-americanas que unem desde grupos de professores aposentados a gigantes do mercado financeiro em busca de oportunidades lucrativas de investimento – preferia deixar o dia a dia nas mãos de Ecclestone. E não ligava muito para o fato de que o ex-dono da Brabham se lixava para as mídias sociais, custou a criar um site decente para a categoria e passar a promovê-la em Twitter e Facebook. Ao mesmo tempo, a Moto GP surfava nas ondas das provas emocionantes e as corridas cada vez mais sonolentas afastavam espectadores, diminuíam a venda de ingressos e a audiência na TV (em alguns países, aliás, transmissão em canais abertos já é coisa do passado).

Tio Bernie achava que o tempo dos ovos de ouro duraria para sempre; que a fila de países dispostos a abrir os cofres para sediar corridas não terminaria jamais, e que a seleção natural da categoria (se alguém não consegue sobreviver, outro alguém ocupa as vagas no grid) se encarregaria de manter as vacas gordas, o que está longe de ser o caso. Agora, parece que ele aceitará dividir as decisões com Chase Carey, dirigente indicado por John “Darth Vader” Malone, fundador e CEO da Liberty Media. Que, com empresas em seu portfólio como os canais Discovery e as emissoras de rádio via satélite Sirius XM, vai querer fazer muito barulho para que o investimento gere lucro.

É aí que entra a pergunta feita no título do post: e o que nós, pobres mortais fãs da categoria, temos a ver com isso? É de se imaginar que a tal da “mentalidade norte-americana” de espetáculo traga tudo aquilo que o próprio Bernie já sugeriu, mais por provocação, e ninguém teve coragem de fazer para não desnaturar a F-1. Coisas do tipo grids invertidos, lastro de peso para os mais rápidos, pontuação mais robusta, talvez até playoffs para definir os campeões. O que, conforme o caso, até não seria má ideia, não fossem três letrinhas: FIA. A entidade (e seu presidente Jean Todt, principalmente), dificilmente aceitará transformar a categoria numa Nascar para monopostos e, se exercer o direito a veto, fica tudo como está. E a bem da verdade é preciso cuidado para não se passar do vinho para a água. Se a coisa começar pelos aspectos extra-pista, por aproximar o circo do público, aí sim terá sido um grande negócio.

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