O próximo candidato

Se há, no atual momento, um brasileiro que reúna as condições para sonhar com a chegada à Fórmula 1 (dentro e fora da pista), esse é o mineiro Sérgio Sette Câmara. Primeiro por estar no caminho certo, apesar dos percalços – os resultados na segunda temporada pelo Europeu de Fórmula 3 não espelham sua competitividade e o amadurecimento de quem foi ao pódio duas vezes no Masters de Zandvoort e é o atual recordista do complicadíssimo traçado de rua de Macau. Segundo por já ter tido a condição de pilotar um carro da “máxima” – aliás, a Toro Rosso Ferrari desse ano pra valer e a Red Bull que foi de um certo Sebastian Vettel em duas exibições. E não deve ser ano que vem, que nem está nos planos, mas pode ser em 2018, por que não? Pois eu tive a chance de bater um papo com Serginho para o jornal Hoje em Dia e reproduzo aqui, para você saber o que pensa o melhor candidato a manter o verde e amarelo no circo…

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Ele começou no kart quando ainda não alcançava os pedais e, mineiramente, foi subindo a pirâmide que separa os milhares de pilotos de todo o mundo de uma carreira como profissional no automobilismo internacional. E, de onde está, já começa a ver o topo sem precisar de lente de aumento.
Aliás, o mineiro Sérgio Sette Câmara já teve o gosto de comandar um F-1 atual – também participou de uma exibição com o carro usado por Sebastian Vettel para conquistar o título de 2012 e acelerou nas ruas de Glasgow ao lado de David Coulthard. Em julho, uma semana depois do GP da Inglaterra, testou com a Toro Rosso em Silverstone, dividindo a pista, por exemplo, com Kimi Räikkönen.

Atualmente no Europeu de Fórmula 3 como integrante do programa de talentos da Red Bull (o mesmo que revelou Vettel, Daniel Ricciardo e Carlos Sainz Jr.) e defendendo a equipe Motopark, Serginho, 18 anos, se transformou numa das principais esperanças de presença verde e amarela competitiva no circo, especialmente com o anúncio da aposentadoria de Felipe Massa. Ele falou sobre a temporada, os planos e expectativas.

Testar um F-1 foi a realização de um sonho. Como você encara a possibilidade de chegar à categoria nos próximos anos?
Foi uma experiência excelente, mas encaro meu futuro como sempre fiz. Estou um pouco mais perto mas não muda nada, apenas me dá mais vontade de seguir trabalhando para chegar lá em breve e saber que o esforço está sendo recompensado.

Seu desempenho com o carro foi bom logo de cara e elogiado pela Toro Rosso. O que mais te chamou a atenção, considerando a diferença entre um F-1 e um F-3?
Mais do que qualquer comentário, o importante é que eu fiquei muito feliz com meu desempenho e satisfeito com o dia de testes, porque sempre fui rigoroso com o que faço. O carro impressiona pelo downforce (pressão aerodinâmica), é muito diferente, o motor é muito potente, com muita tecnologia. Mas, o que mais chamou a atenção foram os motores elétricos e o torque que eles proporcionam. É impressionante a força em baixas rotações, foi bem diferente de tudo o que eu esperava.

Mineiramente você traçou seu caminho desde o kart e, de repente, quem não te conhecia descobriu um piloto que tem tudo para ser o próximo brasileiro no circo. O assédio e o interesse te surpreenderam? Você enxerga isso de forma positiva ou como uma pressão a mais?
Realmente veio de repente. Assim que tomamos a decisão de encarar o Europeu de Fórmula 3, que era um risco, e os bons resultados vieram, comecei a me destacar, mas não me atingiu tanto, sempre fui tranquilo em relação a isso. O nível do assédio ainda é muito baixo com relação a um atleta que chega ao topo de seu esporte. Não encaro como pressão. É uma parte do meu crescimento e, se eu quero chegar lá, tenho que me acostumar com isso.

Ser piloto do programa de talentos da Red Bull é um privilégio, mas há quem diga que a paciência é pouca e as cobranças demasiadas. Como tem sido a experiência? E o contato com Helmut Marko?
Tem sido uma experiência impressionante, esse ano tive a chance de pilotar no simulador de Fórmula 1 da equipe inúmeras vezes, pilotei um F-1 três vezes considerando as exibições, estou vivendo a experiência de levar uma marca global no peito, sou muito grato a eles. A atitude deles é realmente agressiva, mas é natural esperar de seus pilotos que façam sempre o melhor. Quanto ao Marko, escrevo os relatórios depois das corridas e conversamos algumas vezes, mas é uma pessoa tranquila de lidar. É um profissional muito competente e inteligente.

Como você mesmo comentou, neste ano tem faltado sorte: na corrida em que foi pole pela primeira vez (Nurburgring), a troca de motor o fez largar em 11º e alguns problemas o impediram de confirmar o potencial. Como tem encarado esse tipo de dificuldade?
Realmente a coisa não funcionou exatamente como esperávamos, a equipe já errou, eu já errei, faltou sorte, um pouco de tudo. O mais importante é que sinto que melhorei muito como piloto, estou rápido, como mostrou a pole por dois décimos de segundo, isso me deixa feliz e confiante, e ainda tenho o restante do campeonato para evoluir e seguir mostrando serviço.

Fale um pouco sobre sua rotina de preparação na Espanha e sua vivência em um centro de alto rendimento (o CAR, em Barcelona) com atletas de outras modalidades. Em que isso é importante para seu trabalho na pista?
Minha vivência é muito importante, é uma experiência muito útil conviver com outros atletas, muitos deles até do automobilismo, todos respiram competição. Estou muito bem em todos os aspectos: físico, mental e o desempenho na pista. Falta apenas aquele resultado que confirme isso, mas vai encaixar.

Ainda há todo o restante de temporada 2016, mas, como estão os planos para 2017? Alguma categoria em vista? Existe a chance de permanecer na F-3?  E como você encararia a chance de disputar uma categoria profissional como o DTM ou o Mundial de Endurance?
É algo que não depende só de mim, eu prefiro pensar agora nas corridas e tem gente que trabalha comigo e se dedica a isso, no momento certo vamos tomar as decisões. Há várias opções válidas e todas me ajudariam bastante. Na GP2 seria interessante lidar com um carro muito potente, acho que estou pronto para a categoria, mas, por outro lado, o primeiro ano seria de aprendizado, e agora eu acho que tenho de pensar em títulos, o que poderia ser o caso na GP3, ou permanecendo na F-3. E sobre ir para o DTM ou a Endurance, lógico que a F-1 é uma meta, ainda mais agora, mas são dois campeonatos sensacionais. Sou um piloto de corrida e quero chegar a uma categoria com carros maravilhosos e muita competição.

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