Surpresa, surpresa e surpresa… (Coluna Sexta Marcha – GP dos EUA)

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Começo a coluna com uma notícia divulgada depois do Grande Prêmio dos Estados Unidos que exige uma imensa reflexão: os organizadores da etapa malaia do Mundial de Fórmula 1 estariam pensando em abrir mão do posto no calendário do circo por considerarem que as corridas estão previsíveis e pouco emocionantes, o que se reflete na bilheteria e no interesse (e olha que a petrolífera malaia é uma das principais patrocinadoras da Mercedes).

A conclusão não é nenhuma novidade, mas mostra que a turma do grupo Liberty Media tem muito trabalho nas mãos caso queira ver a tendência mudar de novo. “Tio” Bernie Ecclestone vive bradando aos quatro ventos que não faltam destinos no mundo capazes de abrir os cofres para receber a F-1, o que é cada vez menos o caso. Quando se tornou a primeira parada asiática da categoria além do Japão, na década de 1990, a Malásia era desses casos, a ponto de abrir os cofres para a construção de Sepang, que, então, era referência em se tratando de instalações e segurança.

Por outro lado, impressiona o fato de que o Circuit of Americas recebeu, ao longo do fim de semana da 18ª etapa da temporada, nada menos que 269 mil pessoas. Sim, amigo leitor, estamos falando dos Estados Unidos, aquele país que tradicionalmente dava uma banana para o circo e só tinha olhos para a Nascar e as 500 Milhas de Indianápolis (vá lá, Long Beach, até pela tradição, é uma rara exceção). Não cheguei a comparar os números, mas sou capaz de apostar que o público do sábado foi o maior do ano. E não custa lembrar que a programação do ano passado foi comprometida pelas fortes chuvas, o que deixou inúmeros espectadores furiosos e insatisfeitos. Os organizadores apostavam numa queda de interesse, e o que se viu foi justamente o contrário.

Olha que já estamos no quinto ano de GP no traçado próximo a Austin e, a essa altura, Indianapolis já apresentava mais lugares vazios do que ocupados, depois que o efeito-novidade passou. E não estamos falando de um destino turístico tradicional, muito menos de uma invasão de mexicanos e outros estrangeiros – especialmente porque os vizinhos de fronteira voltaram a ter sua própria prova ano passado. Gente de todas as partes do mundo havia, mas não tanta para justificar a invasão.

Para os novos donos do negócio, é uma ótima notícia, tanto mais porque a corrida foi tal e qual acredita a turma da Malásia. Nico Rosberg começou a jogar na retranca, como deve ser o caso, mesmo porque a ameaça das Red Bulls só se concretizou no início, mas não influiu no resultado final. E Lewis Hamilton arranjou ainda mais motivos para ter o COTA em um posto especial de suas recordações – venceu quatro das cinco edições e a de domingo foi a 50ª conquista na F-1.

No mais, tudo bem que Fernando Alonso e Sérgio Pérez fizeram belas corridas, alguns duelos no pelotão intermediário passaram da conta e houve momentos de puro pastelão como ver a Ferrari de Kimi Räikkönen descer a saída dos boxes na contramão ou Max Verstappen aprontado suas pataquadas em um fim de semana pouco inspirado, mas nada que justificasse tamanha peregrinação à pista. Terá sido o show de Taylor Swift? Ou a chance de subir na torre de observação e ver as alturas pisando sobre vidro (e a imensidão)? Duvido que tenha sido uma ou outra, mas é bom a turma da Liberty Media pesquisar bem e adotar o segredo no resto do calendário para não termos, a cada Austin que se consolida e surpreende, uma Sepang que dá adeus…

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