Tiro no pé, parte 323B (Coluna Sexta Marcha – GP do México)

É mais ou menos assim: você chega a um país que adora a Fórmula 1 e esperava ansiosamente pela chance de retornar ao circo, encontra o autódromo lotado por uma torcida apaixonada e… entrega um espetáculo que não só vê um dos ocupantes do pódio mudar quase na hora de ocupar os respectivos degraus, como descobre, bem depois de ir para casa, que o “substituto” também não teve direito ao troféu e à champanhe, e que a vaga, na verdade, vai para quem sequer chegou perto da festa.

Ou não foi isso que ocorreu no Circuito Hermanos Rodríguez, em mais um GP do México? Vamos e venhamos, emoção na pista foi pouca, quase mínima, ficamos na base do “fulano está encostando em beltrano, será que chega?”. E quando chegou, nas únicas disputas dignas do nome por posições no pelotão dianteiro, deram-se as lambanças que condicionaram o resultado da prova.

Max Verstappen precisa, mais do que nunca, de ter as orelhas puxadas pela FIA, pela Red Bull ou quem quer que seja. Está mais do que na hora de mudar o comportamento de adolescente birrento que acha que tem razão sempre. Já tive oportunidade de comentar que ele se porta na pista como se ainda corresse de kart, em meio a 35 rivais furiosos com equipamento bastante parecido e acelerando como se o mundo acabasse na bandeirada. Ele sustenta que estava à frente de Sebastian Vettel quando foi passear na grama e, por isso, não precisaria entregar a terceira posição – a questão é que ele freou muito depois do limite, única forma de não ver a traseira da Ferrari já na curva seguinte.  Ser o protagonista de 10 entre 11 manobras polêmicas no circo não é nem um pouco coisa boa para o jovem currículo de um vencedor de GP que, ressalto, não precisou de qualquer artimanha para ser o melhor na Espanha.

Da reclamação enfurecida de Sebastian Vettel, compreendo a primeira parte, quando esperava que algo fosse feito. Mas não há como justificar a chuva de impropérios e palavrões dirigidos a Charlie Whiting e à direção de prova. O piloto boa-praça dono de um talento absurdo (ok, Fernando Alonso é o mais completo, concordo com quem defende a tese) não precisa ganhar a fama de chorão e encrenqueiro.

E sobre os dois outros incidentes polêmicos da corrida de domingo, acredito que a punição a Lewis Hamilton seria descabida, tanto mais com os dados da telemetria confirmando a perda de tempo, assim como foi exagerado tirar do ferrarista o terceiro lugar. Até onde eu sei, F-1 não é Nascar, em que a ordem é manter a linha de corrida e modificá-la apenas quando não houver risco de atingir um adversário. Com tantos olhares de comissários e câmeras pelo circuito, não demora e ultrapassar será passível de drive-through. Considerando que as Mercedes estão num campeonato à parte e é difícil imaginar num repeteco do que houve na Malásia e num carro que não seja prateado recebendo a bandeirada na frente.

O problema é que, com corridas assim, a F-1 fica cada vez mais distante do que deveria ser e volta a acertar o próprio pé, a jogar contra o próprio patrimônio. E mesmo paciência e adoração de torcedores como os mexicanos (e os norte-americanos, uma semana antes) tem limite…

hammex

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Um pensamento sobre “Tiro no pé, parte 323B (Coluna Sexta Marcha – GP do México)

  1. acho meio engracado escrever o Hamilton nao ganhou tempo na largada, ele perdeu totalmente a entrada a curva, se tiver um muro ou caixa de brita ou Hamilton sequer teria ganhado a corrida, e o pouco tempo ganho da para ver em diversos videos no internet, era sou alguns metros abrindo uma distancia beeem seguro

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