Podia ser assim sempre (Coluna Sexta Marcha – GP do Brasil)

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Ok, ok, ok, vamos partir do princípio que Max Verstappen fez uma senhora corrida em Interlagos mas, como chato que sou sempre que remo contra a maré, gosto sempre de lembrar que o menino-prodígio, que não é o Robin, não só terminou na posição em que largou – tudo bem que a estratégia o jogou lá atrás, é verdade -, como contava com um carro que sabidamente tem o equilíbrio e a aderência como pontos fortes, o que não é propriamente novidade em se tratando de modelos concebidos por Adrian Newey. Mas lógico que não adiantava nada ter tudo isso e não saber ou conseguir aproveitar, e a melhor volta, assim como a tranquilidade em condições tão críticas realmente pesam a favor do moleque.

Mas houve outros personagens bastante dignos de nota ao longo das 71 voltas mais demoradas da história do GP do Brasil – aliás, eu faço um parêntese aqui e concordo com os colegas europeus que consideraram exagerado mostrar duas bandeiras vermelhas, mesmo porque a corrida terminou com pista pior do que antes, e sem acidentes absurdos, apenas toques normais desse tipo de situação. Voltando à vaca molhada, o francês Esteban Ocon mostrou que promete dar um bocado de trabalho ano que vem na Force India, ele que com a Manor se manteve entre os 10 primeiros até quando o equipamento e os pneus permitiram. E o próprio Sergio Pérez, de forma bastante discreta, quase conquistou mais um pódio para a coleção, fazendo de um limão bem mais que uma limonada. Esse amadureceu com força e hoje certamente mereceria a precipitada oportunidade na McLaren.

E que Felipe Nasr conquistou o resultado de que precisava e merecia, é chover no molhado, com o perdão do trocadilho. Se é verdade que o dinheiro anda escasso e o que há de bom vai para o carro de quem colabora mais (leia-se: Marcus Ericsson), os deuses da F-1 deram um jeito de escrever certo por linhas tortas. Será suficiente para garantir o posto? Tomara. Mesmo porque o Brasil não pode ficar sem a F-1, assim como a F-1 não pode ficar sem Interlagos. Lembrem-se que as posições do pódio foram as mesmas da chegada… mas quanta emoção no meio do caminho. Emoção que tocou até a quem mesmo uma doída derrota nessa mesma pista não foi capaz de vencer – e muita gente chorou naquele 2 de novembro de 2008, ou pelo menos teve vontade, diante do vencedor mais inútil da história do circo, não por ele, mas pelas circunstâncias.

Felipe Massa não foi saudado de pé ou aguardado pelos integrantes de várias equipes porque sempre foi o piloto gente boa, o cara que não ameaçava ninguém, aquele do quase. Bater Michael Schumacher com equipamento igual, brigar por um título mundial até a bandeirada da última corrida do ano (não estamos falando em herdar resultado com o melhor carro, muito pelo contrário), é coisa para poucos. E o moleque estabanado da Sauber cresceu muito, amadureceu e só não foi perfeito em alguns pontos, mas mereceu cada vitória, pódio ou pole. Se não foi possível fazer mais, paciência, tanto mais que dividir o grid com Schumacher, Alonso, Button, Vettel, Hamilton, Raikkonen  e Rosberg e encará-los já não era missão das mais simples.

Sobre o título, bom que o roteiro digno de filme de suspense não alterou em muito o desenho do duelo – houvesse um acidente ou uma quebra e a coisa seria diferente. Não aconteceu por aqui, mas dificilmente vai sair do roteiro atual. A reação de Hamilton talvez tenha sido tardia, ou, o que eu prefiro pensar, encontrou um rival bem mais forte psicologicamente, capaz de se limitar ao que tem que ser feito. Alguém se anima a pensar num pódio com os números 44, 33 e 6, nessa ordem, em Abu Dhabi. Eu tenho muita convicção de que será assim, com a festa de quem hoje está na frente. No mais, que tenhamos F-1 aqui e piloto (um, que é o caso), em 2017…

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