A vida passa rápido amigo …

Eu não sou de recusar convites do tipo: “quer dar uma volta rápida na pista com o carro de corrida?”. No saudoso oval montado no Autódromo de Jacarepaguá, tive o privilégio de ser passageiro da norte-americana Linda Pobst, mulher do craque Randy Pobst (de categorias de GT e endurance) a bordo de uma BMW M5 que fazia as vezes de carro de intervenção rápida na etapa brasuca da Indy (a Rio 200), e me deliciei ao ver o muro perto (do meu lado) com o velocímetro brincando alegremente nas 140 milhas por hora, algo em torno dos 210km/h. Saí do carro rindo, com gosto de quero mais e a certeza de que essa turma pode ter juízo de menos (as vezes não), mas talento em pencas. Na passagem única da extinta Pickup Racing pelo Mega Space, em Santa Luzia, lá fui eu encarar um carro da Stock, novamente no banco que não deveria estar ali, mas a pista é muito pequena para se ter a real noção da velocidade e da aderência.

E o leitor habitual do blog sabe que eu também dou minhas aceleradas, e eu juro que por vezes andar a “meros 140km/h numa estrada pública, com muro de um lado e barranco do outro é um bocado emocionante, principalmente quando você comanda, e não é apenas o passageiro. Tem horas em que dá uma imensa saudade de casa, e eu lembrava que o navegador dizendo no seu ouvido “boa, Rodrigo” é sinal de que as rodas de trás queriam passar as da frente, e felizmente isso não aconteceu.

Mas nada, absolutamente nada se compara à emoção vivida nesse 19 de novembro de 2016, quando surgiu a chance de ser passageiro de ninguém menos do que Max Wilson de Lima, piloto com trajetória sensacional na Indy, V8 Supercars e, agora, na Stock, que finalmente desembarcou nas Minas Gerais graças a um autódromo digno do nome, o Circuito dos Cristais, em Curvelo. Para que você tenha uma ideia, são 4.420m e 18 curvas, mais do que qualquer outro traçado do Brasil.

Lá fui eu me sentar no lado direito do carro que, como fiquei sabendo antes, nada mais é do que o usado até 2014, sem tirar nem por. Nada de “café com leite” para não assustar os passageiros. Câmbio sequencial por alavanca, freios absurdos e algo em torno dos 500cv. Capacete, macacão, Hans, balaclava, cinto devidamente afivelado, ele espera os comissários liberarem a brincadeira. O sinal com a mão mostra que é hora de despejar a cavalaria, e o pedaço da reta dos boxes que percorremos é engolido em velocidade absurda. Eu via os carros do Marcas 1.600cc freando na placa de 100m e me surpreendi ao passar a de 50m ainda de cano cheio. De repente, quase do nada, a pressão no pedal do freio acorda os discões e as reduções de marcha secas endireitam a barata.

O carro, ainda que no asfalto sujo e empoeirado, parece andar nos trilhos, é impressionante como dá confiança para ir bem além do que a cabeça de um ser humano normal imagina ser o limite. Caramba, a tração é traseira e o carro não desgarra, tudo corrigido e dosado de modo decidido. O ronco do vê oitão entrando pelos ouvidos é uma sinfonia intensa e arrebatadora. Freia, reduz, acelera, freia, reduz, acelera, tira o pé um pouquinho, põe as rodas na zebra, e as placas de referência são engolidas absurdamente rápido. O “pra lá do Deus me livre” é muito mais longe do que eu imaginava, como o banco é mais largo do que o meu tamanho pra acomodar todo o tipo de corajoso, eu balanço um pouco, mas faz parte da aventura. Subida da reta dos boxes e… vem a hora de parar e dar chance a quem vem depois (sim, acabei sendo o primeiro). Como dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, melhor ficar com o vídeo, que mostra bem o que foi…

 

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