Ele voltou, ele voltou, ele voltou…

Não, amigo leitor, a pretensão do post não é informá-lo sobre o anúncio oficial de algo que a rede de intrigas da Fórmula 1 já dava como certo desde o ano passado: que Felipe Massa volta à Fórmula 1 sem ter saído, com a ida de Valtteri Bottas para a Mercedes, no lugar do campeão Nico Rosberg.  A ideia é apenas dar alguns pitacos sobre a decisão, especialmente depois que boa parte da imprensa europeia passou a atacar a possibilidade, não pelo brasileiro em si, mas porque ela, na teoria, fecharia as portas para as novidades, os jovens talentos, as apostas.

Ora, tudo bem que o automobilismo atual rejuvenesceu,. que não seria o caso de imaginar pilotos com mais de 45 anos competitivos no circo, mas não é porque Max Verstappen conseguiu que a turma tem que chegar toda com 18, 19, para durar até seus 35 (como os do brasileiro). Basta ver o que acontece em outras categorias de sucesso – ninguém pensa em propor a aposentadoria de Valentino Rossi, muito menos mandar Jimmie Johnson, Dale Earnhardt Jr., Matthias Ekströem, Giancarlo Fisichella, Marc Lieb procurar outra coisa pra fazer que não acelerar num campeonato de ponta. Eles vão parar quando considerarem que é o caso; não custa lembrar que, como qualquer atleta de alto nível, a brincadeira começa muito cedo, e uma hora cansa a rotina de viagens, compromissos promocionais, mesmo de corridas.

O grande problema da F-1 atual, na minha humilde e modesta opinião, é que ela ficou fácil demais. Um aprendiz de gênio pode se preparar em simuladores anos antes de chegar ao circo (os mais abonados podem inclusive se dar ao luxo de montar um time de testes próprio para limar asfalto pelo mundo) e o caminho das pedras fica mais fácil com a ajuda de engenheiros, técnicos de telemetria, montanhas e mais montanhas de dados. Isso acaba nivelando a coisa por baixo, e todos ficamos estarrecidos quando qualquer estreante, mesmo numa circunstância desfavorável, roda em tempos de Vettel, Alonso, Raikkonen, Hamilton e Ricciardo.

E isso fica tão mais claro quando se vê que a categoria vai passar, na atual temporada, por uma das mudanças mais radicais em sua história recente e, pelo que se vê, dispensa a experiência de quem tem para dar e vender. Ou alguém vai me convencer que Marcus Ericsson e Pascal Wehrlein são a dupla ideal para desenvolver um carro com pneus mais largos, aerodinâmica completamente diferente e tempos de volta, em média, de dois a três segundos mais baixos? Não são como não é Jolyon Palmer, ou Esteban Ocon, ou mesmo Bottas, por mais talento que possuam, se o caso for só o piloto.

Não fui eu quem disse, mas um certo Andreas Nikolaus Lauda, que atualmente até mesmo um macaco pode ser competitivo a bordo de um F-1. Longe de mim querer que voltemos aos tempos dos paineis analógicos, da alavanca do câmbio à direita do cockpit, das marchas que saltavam, mas a peça entre o volante e o banco tem que ser a mais importante da equação, tem que acrescentar alguma coisa. Do contrário, o circo corre o mesmo risco do lendário Ringling Bros, que fecha as portas depois de 146 anos de palhaçadas e diversão. Por essas e outras é que eu digo: bem-vindo de volta, Felipe. Acima de tudo divirta-se sem complexo, mesmo porque não foi você quem criou todo o cenário que permitiu sua volta. Aconteceu, então, “taca-le pau” mais um ano, de preferência tirando pelo menos 0,1% a mais do que o carro permitir…w31i8938

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s