A crise na F-Truck e uma inverdade incômoda…

É uma pena ver que o que já foi a categoria de maior sucesso no automobilismo brasileiro, capaz de lotar autódromos e atrair ex-pilotos de F-1 (brasileiros e de fora, nunca é demais lembrar do italiano Alex Caffi) vive uma crise sem precedentes e tem o futuro em risco. Culpar a situação econômica e a retração no mercado é o caminho mais fácil, mas não necessariamente explica o que é a realidade da F-Truck. Mesmo porque campeonatos com a saúde muito mais delicada (eu cito o Brasileiro de Fórmula 3, que volta a depender única e exclusivamente das equipes e da CBA, com a saída do “pacote” da Vicar) não jogaram a toalha e planejam seu 2017 de forma serena.

E não existe a história de que o público simplesmente “deixa de gostar” de uma atração, um evento, se esse evento continua oferecendo a quem está nas arquibancadas ou diante da TV aquilo que ele quer. Já comentei outras vezes que teria sido mais adequado se unir a outras categorias, ainda que isso significasse abrir mão de parte do protagonismo. Em nenhum país do mundo uma categoria de ponta, por mais destacada que seja, corre sozinha, arca com todos os custos. É no mínimo pouco inteligente.

Como não é inteligente (e aí me perdoem pela redundância) abusar da inteligência de quem vive o automobilismo de dentro como fez a categoria no fim do ano passado. Em pleno fim de semana do trio Brasileiro de Stock Car/Brasileiro de Marcas/Brasileiro de Turismo no Circuito dos Cristais, o autódromo internacional de Curvelo devidamente homologado pela CBA para receber qualquer categoria nacional – e quem disse isso foi o próprio presidente da entidade – a Fórmula Truck emite um comunicado informando que “por questões de segurança e ajustes ainda necessários”, não correria em Minas, dali a duas semanas, encerrando sua temporada em Londrina.

Ora, vale sempre lembrar que os representantes do campeonato foram dos primeiros a visitar o terreno, quando ele nem sequer havia recebido o asfalto e todas as suas sugestões foram ouvidas e acatadas – até mesmo a composição do asfalto foi pensada levando em conta o efeito do peso dos “brutos”, sem contar que as áreas de escape foram concebidas para dar segurança às motos, muito mais vulneráveis. Seria o caso de reforçar uma ou outra barreira de pneus, fazer ajustes e tudo teria saído sem sustos – eu duvido que se registrasse acidentes assustadores como os de Diumar Bueno e David Muffato em Guaporé, por exemplo. E se há segurança para a Stock, como não há para a Truck?

Sabe-se lá por que motivo, jogaram a conta (e a culpa) na pista, como se seus proprietários e administradores não tivessem feito a própria parte. Para piorar, o pré-calendário anunciado mais uma vez despreza o que é hoje o mais moderno e desafiador traçado do país – pergunte a qualquer dos pilotos da Stock e eles não vão me desmentir –, para jogar os imensos caminhões em uma pista acanhada como a do Velopark. Se isso não é jogar conta o patrimônio, eu não sei o que é. E ajuda a mostrar porque o que já foi referência mundial corre o sério risco de desaparecer dos circuitos. Uma pena…

truck

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