Diversão garantida: um dia de piloto na F-Vee

*** Caso o amigo leitor ainda não saiba, o Jornal Hoje em Dia passa a contar com uma página semanal sobre velocidade, a cargo deste que vos escreve. E uma das primeiras matérias publicadas foi a experiência que tive de comandar um carro de F-Vee no mais novo autódromo do Brasil. Com direito aos conselhos fundamentais de Wilson Fittipaldi e Suzane Carvalho e a Cristiano da Matta acompanhando a aventura nos boxes. Para quem não viu na página, eu reproduzo aqui, prometendo para breve um vídeo com imagens inclusive da câmera onboard mostrando como um modelo tão simples e relativamente modesto pode ser tão divertido. Espero que a leitura divirta tanto quanto a experiência me divertiu.

“A primeira marcha você nem usa, pois é muito curta. Sai dos boxes em segunda, soltando a embreagem aos poucos e, na pista, só terceira e quarta”. Parte do curso prático de piloto de fórmula, depois de descobrir que, apesar do 1,85m, cabia com um certo conforto (noção bastante relativa, no caso) no cockpit do Fórmula Vee. O importante era que o volante não tocasse os joelhos e as pernas tivessem liberdade para acionar os três pedais.

Até por nunca ter acelerado um carro com tração traseira, ouvir cada orientação da professora era fundamental. Sim, isso mesmo, professora, com um currículo nas pistas de respeito. Suzane Carvalho resolveu trocar uma promissora carreira de atriz e modelo na década de 1980 pela paixão pela velocidade. Começou no kart, conseguiu um título sul-americano de F-3, competiu nos EUA, na Inglaterra, no México e na Argentina.

Mesmo com a experiência de quem já comandou equipamento bem mais forte, ela tem, no pequeno fórmula com motor 1.600cc de VW Fox, suspensão de Fusca e chassi tubular (sem aerofólios), a fonte de muita diversão. O conceito é antigo – vem da década de 1960, como uma porta de entrada acessível e didática para o automobilismo ­– mas se mostra mais atual do que nunca. Restava comprovar na prática, e a vinda da categoria a Curvelo para a primeira etapa da Copa Centro-Oeste/Minas era a oportunidade ideal.

Indumentária devidamente colocada, sentado no banco em fibra de vidro nem um pouco macio e devidamente preso pelo cinto de seis pontos (a sensação é essa mesma, de que falta espaço até para respirar), vem o sinal para ganhar os 4.420m do Circuito dos Cristais. Saio “como manda o figurino”, sem deixar o carro morrer e logo o pitlane vira pista de verdade. As dúvidas a responder eram várias: “será que ele roda fácil demais se a pressão no acelerador vier antes da hora? Tem estabilidade suficiente mesmo equipado com pneus de rua aro 15 e sem a ajuda de asas para grudá-lo no chão?”.

Basta se animar um pouquinho com o pedal da direita e as respostas chegam. O Vee é impressionantemente na mão. Para quem não está acostumado, surpreende a corrente de ar frio que entra sob o capacete, mesmo num dia de calor. Com freios a disco nas quatro rodas, parar não é tarefa complicada – e a sensação de que teria sido possível acelerar alguns metros a mais certamente se torna cada vez menos presente com o correr das voltas. Só faltou sorte com o câmbio que, embora simples, por vezes se recusou a voltar à terceira marcha nas reduções, algo que o competente time responsável pela mecânica dos “charutinhos” resolveria sem grande dificuldade. Fora isso, a paisagem passa rápido e sem grandes sustos. Pena que havia mais gente para andar mas, como todos os demais, deixei o carro com gostinho de quero mais. Como bem definiu em tom de brincadeira o homenageado do fim de semana Cristiano da Matta, “vicia que nem droga pesada”.

 

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