Do que gostei e do que não gostei (Coluna Sexta Marcha – GP da Austrália)

Se a temporada da F-1 começou, é sinônimo de retorno da coluna também, ela que registra há sete anos ininterruptos os pitacos deste que vos escreve. Para começo de conversa, adianto que não imaginava que um golpe de varinha mágica fosse trazer tudo o que faltou à categoria no primeiro GP de uma nova era. Que ultrapassagens, duelos, emoção e incerteza viessem com a maior velocidade e o aspecto agressivo dos carros. Porque esses, com certeza vieram, de uma forma até surpreendente. Eu explico: por mais que já tivesse visto com as imagens onboard o desempenho dos carros 2017, ainda mais na comparação com os antecessores, Barcelona não proporciona a mesma sensação claustrofóbica das ruas do Albert Park. As mudanças de direção constantes, as curvas rápidas em sequência com os muros e/ou áreas de escape pertinho, à espreita.

O treino de qualificação trouxe uma espécie de apneia, uma carona muito mais veloz do que jamais foi. Chega a ser assustador o grau de aderência conseguido com as máquinas mais largas, assim como os pneus, e todo o aparato pensado pelos projetistas para tentar compensar a perda de pressão aerodinâmica. As retas passam com o ritmo habitual mas, as curvas… Essas chegam impressionantemente velozes. A ponto de, confesso, temer que um enrosco na largada tivesse consequências sérias, o que, felizmente, não aconteceu.

A decepção, se é que houve, foi constatar que todo esse tempo de discussão entre os diretores-técnicos, simulações da FIA e dos times, sugestões e propostas deu origem a uma geração de máquinas que, pelo que se viu, são ainda mais sensíveis à turbulência do que as anteriores. E aí, se é verdade como disse Max Verstappen que, a menos de dois segundos de distância a situação já é crítica, o cenário do filme está pronto: de longe não se passa. De perto (menos de um segundo) entramos na zona do DRS e, com ele, é difícil se defender. E fica tudo como estava antes em termos de disputas. Curiosamente, foi justamente numa prova com menos pitstops (como será a tendência ao longo do campeonato) que a estratégia voltou a fazer a diferença. Na verdade, a capacidade de fazer durar ainda mais os quase “inacabáveis” novos compostos da Pirelli.

Evidentemente que uma vitória da Ferrari depois de ano e meio de jejum com as duas Mercedes na pista e sem enfrentar problemas é uma perspectiva tentadora para o que vem por aí, tanto mais porque se viu apenas uma Red Bull em ação, e eu acho difícil que os comandados por Adrian Newey não desenvolvam o RB13 à altura. Mas daí a imaginar que vai ter briga roda a roda até Abu Dhabi, vai um longo caminho… Se for daí a melhor…

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