Essa é para ter na coleção…

Não é o caso de fazer propaganda, mesmo porque há espaço específico no blog para isso (alô anunciantes…). Mas não dá para deixar batido quando, em sua caixa de email chega uma mensagem anunciando o lançamento de uma coleção de miniaturas das “Lendas da Stock Car”, da editora Planeta De Agostini.

Quem teve acesso à iniciativa semelhante envolvendo os pilotos brasileiros na Fórmula 1 com certeza encheu a estante. Alguns vão argumentar que a qualidade nem sempre foi das melhores, que há versões de marcas como Spark ou Minichamps com produtos melhor acabados mas, neste caso, não há qualquer parâmetro para comparação. Diferentemente dos hermanos argentinos, capazes de reproduzir os carros da Turismo Carretera (TC) até em gesso ou plástico, por aqui ninguém havia feito nada do tipo, muito menos a categoria, em suas várias encarnações (alô Vicar…).

Pois os fascículos começam chegar às bancas de alguns estados em maio (nos outros, apenas pelo sistema de assinatura, o que é uma maldade com quem mora fora dos centros escolhidos), e o primeiro deles, com preço bastante promocional, traz o V8 conduzido por Rubens Barrichello em 2014, ano de sua estreia na categoria. Esse sairá a R$ 14,99; em seguida o Peugeot de Marcos Gomes (2015) por R$ 29,99 e os demais, começando pelo inconfundível amarelo Ipiranga de Thiago Camilo e o Opalão carenado de Ingo Hoffmann, com a inesquecível decoração Castrol, já por R$ 54,99. O que começa a ficar pesado considerando o número de modelos diferentes (60). Mas a iniciativa vale aplausos e, de repente, é mais um passo para vermos o marketing da categoria verde e amarela seguir o exemplo da Nascar, em que se oferece tudo de todos os pilotos.

 

Homenagem ao mais novo aposentado da praça

Como nos Estados Unidos se aposentar ainda é mais fácil do que será por estas bandas, um dos grandes nomes da geração atual da Nascar confirmou que vai pendurar o capacete e o macacão no fim da temporada. Brincadeiras à parte, Dale Earnhardt Jr. resolveu se juntar a Jeff Gordon como parte do time que vai viver o automobilismo do lado de fora da pista – no seu caso, como dono de equipe, ao fim do atual campeonato. Lógico que o grave acidente no superspeedway de Michigan, ano passado, com uma concussão cerebral séria, assim como a vida de recém-casado, pesaram na decisão.

Tem gente que não vê nele isso tudo, mas, convenhamos que não é simples crescer à sombra de um dos nomes mais lendários da história da categoria, tanto mais que o pai, “The Intimidator” Dale Earnhardt não está mais aqui para dividir a carga – se foi na mesma Daytona que, por muitos anos, insistiu em não se render à sua pilotagem.

E talvez Junior tenha pago o preço de ser menos duro do que o pai nas disputas de pista, não carregar nenhum tipo de imagem de bad boy ou  não merecer vaias nos ovais como vários rivais já receberam. Tanto que, ano após ano, é um dos mais queridos pelo público, independentemente dos resultados na pista. E, você há de convir, nem toda a audiência atual viu o Chevrolet #3 negro acelerando a caminho dos sete títulos.

Não por acaso, costuma ser ótimo garoto-propaganda, como no anúncio de sua principal patrocinadora, a seguradora Nationwide, em que brinca com a própria fama, dizendo que as pessoas o conhecem como o piloto da Nascar, mas, para seus funcionários, ele por vezes é o cara que pega o café, ou conversa sobre amenidades nos intervalos do trabalho.

Falando em anúncio, esse foi feito ano passado pela Goodyear e já foi motivo de post no blog, porque ficou de arrepiar. O texto fala dos pneus mas, quando você junta às imagens e pensa na trajetória do #88, vê que se encaixa perfeitamente no caminho do menino de Kannapolis até o topo. E fica aqui como uma homenagem a um, sem trocadilho, piloto mais do que adulto, mais do que o “filho de…”

“Eu fui feito nas sombras da grandeza.

Esculpido pelas mãos do legado.

Forjado no fogo da velocidade.

Fui desafiado, testado e provado.

Mas na pista ou fora dela,

a verdade é que você é feito daquilo que você faz”.

Um patrocínio literalmente… do peru na Nascar

 

Não é como já foi um tempo, em que o politicamente correto e a preocupação com a saúde pública não eram tão intensos e anunciava-se inclusive (e principalmente) cigarros e bebidas a torto e a direito mas, no automobilismo, ainda cabe a marca de quase tudo, desde que pague bem. E, se estamos falando da Nascar, a principal regra a respeito é “salvo as exceções, a ordem é aproveitar da melhor forma cada centímetro disponível de carros, macacões, capacetes, bonés e o que mais vender”.

Na maioria dos casos é muito bacana, ainda mais que a decoração das máquinas muda de tempos em tempos e de acordo com a etapa e as circunstâncias. Mas acabam aparecendo também coisas engraçadas. Tal como será o caso do Chevrolet #1 da equipe Ganassi na etapa de Bristol da Monster Energy Cup Series (oitava da temporada), comandado pelo experiente Jamie McMurray.

Ocorre que um dos patrocinadores habituais do time é a Bass Pro Shops, rede de lojas que é uma das maiores dos EUA em artigos para pesca, caça e camping. Que, por sua vez, é parceira de algumas organizações de conservação da vida animal. E resolveu, no oval de menos de 860m de extensão, dar visibilidade a uma delas, a NWTF (não é o que você possa estar pensando, nenhuma brincadeira do tipo ‘now, what the fu…’)

Trata-se da Federação Nacional dos Perus Selvagens, sem qualquer tipo de gracinha. Entidade respeitadíssima que zela pela proteção das espécies do animal que faz glu-glu em solo norte-americano, não apenas por consciência ecológica, mas, principalmente, para permitir que haja população suficiente para que ele seja caçado. Não custa lembrar que a carne da ave é “a” iguaria que une as famílias à mesa no Dia de Ação de Graças (Thanksgiving). Como você vê pelo layout, McMurray vai levar o peru para dar várias voltas no traçado de concreto. É torcer para o bicho não acabar tonto. Como diziam na minha época (essa gíria não é parte do vocabulário da meninada), é ou não é “do peru”?

A prova do “crime” e o pedido de desculpas

Para quem leu a coluna sobre o GP do Barein de Fórmula 1 ou se inteirou sobre o que ocorreu ontem nas redes sociais, faltava entender o que fez com que o perfil oficial de Felipe Nasr no Twitter detonasse abertamente a presença de Jolyon Palmer na Renault e defendesse a contratação do brasiliense para seu lugar.

Ainda que pudesse provocar um efeito midiático interessante, não é o tipo de comportamento que se espere de alguém que merece estar no circo pelo talento, mas dificilmente deixaria escapar tal tipo de declaração publicamente (confidenciar a um amigo ou conhecido é uma coisa, jogar na net é outra totalmente diferente). Parecia ser travessura de alguém com acesso ao perfil, que resolveu transformar o pensamento em palavras. Ou a ação de um hacker, para se divertir às custas alheias.

Pois eis que hoje o próprio Felipe (imagina-se, pelo menos) apareceu em seu perfil e se explicou sobre o incidente. Confirmou que alguém que tinha senhas e acesso à conta resolveu fazer graça por conta própria. E garantiu que todos os códigos foram modificados para evitar que se repita. De todo modo, melhor não chamar para a mesma mesa (ou a mesma parada dos pilotos) Nasr e Palmer – nessas horas pesa muito mais o que foi dito do quem disse. E, a bem da verdade, a substituição até seria interessante, mas o britânico não é tão bração assim a ponto de justificar a saída. Magnussen e Ericsson andam fazendo coisa bem pior, você há de concordar…

Sobre o título do post, trata-se de brincadeira com o que disse hoje Nico Hulkenberg – se você não viu, ou não se lembra, foi comentando um post do alemão que veio a resposta do “suposto” Nasr. Como sentou novamente em seu RS17 para os testes coletivos no Barein, ele publicou foto com a frase: “de volta à cena do crime”. Só coincidência…

Tá todo mundo louco, oba…!!!! (Coluna Sexta Marcha – GP do Barein)

Sim, teve ultrapassagem, corrida de recuperação, resultado surpreendente considerando que havia ocorrido na véspera, mas, nem de longe, o que se passou na pista ao longo das 56 voltas do GP do Barein foi o mais interessante do fim de semana. Sem que fosse necessário mexer em nada no regulamento, de repente o Mundial de Fórmula 1 se agitou de um modo que deu gosto, como se todos tivessem deixado as amarras em casa e a sinceridade que antes era de alguns se tornasse coletiva.

Senão vejamos: começa com um  Max Verstappen que, ano passado, reclamava da “choradeira” de Sebastian Vettel, crítico contumaz das manobras do holandês mudando de direção enquanto freia, o que quase acabou em acidente no Japão (com Lewis Hamilton), diga-se de passagem. Aí de repente o holandesinho atrevido e insolente resolveu reclamar dos retardatários (isso ainda na China), de um Felipe Massa que teria atrapalhado não a sua volta rápida, mas a preparação para ela. E que pode ter iniciado uma crise diplomática entre Brasil e Holanda, ao afirmar que “com os brasileiros, não há o que dizer, não adianta argumentar”. Felizmente a resposta do piloto da Williams veio depois do GP, com direito a reflexão. Tudo bem que dizer que “é melhor ele lembrar que virá correr em Interlagos” soa ameaçador, mas afirmar que a preparação da tentativa cronometrada depende do próprio piloto, que tem que se virar com o que encontra, é problema exclusivo de cada um, foi uma bofetada com tapa de luva, não as palmadas que, segundo corre nos bastidores, eram desferidas pelo pai do piloto da Red Bull quando ele não atendia às expectativas na pista nos tempos do kart.

Aí Carlos Sainz resolveu desligar o cérebro ao deixar os boxes e atingiu o inocente Lance Stroll; Fernando Alonso manteve a ironia pungente e disse nunca ter corrido com tão pouca potência no carro (e vê-lo duelando com Daniil Kvyat, Marcus Ericsson e Jolyon Palmer realmente foi de doer o coração, pensando no espanhol e na McLaren, que já fizeram muito melhor e mergulham num abismo perigoso abraçados com a Honda). E a Mercedes não se dá conta de que o gerador que deveria calibrar os pneus de Valtteri Bottas está com defeito e, com um erro impensável até na borracharia da esquina, compromete a corrida do finlandês. Enquanto Hamilton achou por bem frear horas antes da linha de limite de velocidade no pitlane como se ninguém fosse se dar conta.

Aí vamos nós para o pódio,  Vettel, Hamilton e Bottas recebem seus troféus, as atenções se voltam para o primeiro período de treinos extra-oficiais durante a temporada, na pista barenita, e de repente, sob um tweet de Nico Hulkenberg comemorando os primeiros pontos do ano com a Renault, aparece um comentário com as palavras “WTF (dispensa tradução, mas poderia, sem palavrões, ser ‘o que diabos’) Palmer está fazendo na Renault. Contratem Felipe Nasr, façam um convite a ele”. Algo até aceitável, não tivesse vindo do próprio perfil oficial do brasiliense na mídia social, rapidamente apagado em seguida. Aí é que eu pergunto, tá ou não tá todo mundo louco, ou quase?

Estão fazendo até chover no circo (Coluna Sexta Marcha – GP da China)

Eu sabia que esse pessoal da Liberty Media era danado. Norte-americano sabe como organizar os eventos e satisfazer o público, eles não perderiam a chance de conversar com a turma lá de cima para garantir a emoção de que a Fórmula 1 precisava, e ainda não havia aparecido no Albert Park. E tem que se dar o devido desconto se o GP da Austrália acabou decidido sem grandes mexidas na pista, não dá para chegar de uma hora para outra e corrigir todos os pecados que a categoria máxima do automobilismo mundial apresentava, a coisa requer um certo trabalho, São Pedro é requisitado para outras missões até mais nobres.

Toda a brincadeira na introdução para chegar a uma conclusão que parece inevitável: não existe, como talvez nunca tenha existido, temporada que agrade do começo ao fim, que não tenha vez por outra corridas sonolentas ou definições nos boxes, sem contar que, mais do que nunca, o lugar dos melhores é na frente. Antes havia um motor Cosworth V8 e quem fosse mais eficiente nos detalhes levava. Agora alinhar um carro no circo é missão tão complicada que não dá para querer equilíbrio digno de Nascar.

Nesse aspecto, nem há o que reclamar diante do que poderia ser. Se o fio da meada fosse puxado de onde parou, teríamos Lewis Hamilton passeando da Austrália a Abu Dhabi, com tempo de sobra para cuidar do cão Roscoe e participar de todos e mais alguns eventos pops pelo mundo. Seria campeão na Hungria, tal e qual Nigel Mansell, deixando, aos demais, as migalhas.

E, por enquanto, chuva ou não, não é o que vem acontecendo. Especialmente considerando que Valtteri Bottas ainda não consegue ser a sombra do britânico, capaz de repetir o que era comum nos últimos anos, com a dupla prateada dominando a primeira fila no grid e, com isso, transformando praticamente cada GP num duelo, quando muito.

Pode até ser desnecessário providenciar água do céu sempre para movimentar as provas, desde que se leve em conta que há pistas que tradicionalmente favorecem as disputas, e outras menos. E como mostraram as 56 voltas de domingo, o grande barato agora está nas curvas, não nas retas. Enquanto houver disposição em arriscar e enquanto os comissários não estragarem o espetáculo, emoção haverá, em doses maiores ou menores. Que não seriam as novas regras a solução de todos os males, capazes de fazer com que corridas em Barcelona ou no México sejam tão interessantes quanto as do Canadá ou de Silverstone era algo claro, só não viu quem não quis. E o GP do Barein já mostrou, nem faz tanto tempo assim, que bastam dois pilotos de talento com equipamento semelhante para transformar o período entre largada e bandeirada numa apneia coletiva, o risco do toque sempre próximo e jamais concretizado, a briga justa e dura, como deve ser. E a turma da Liberty Media poderá se preocupar com outros aspectos do espetáculo sem esperar que as torneiras se abram ao menos em algum momento do fim de semana.