Estão fazendo até chover no circo (Coluna Sexta Marcha – GP da China)

Eu sabia que esse pessoal da Liberty Media era danado. Norte-americano sabe como organizar os eventos e satisfazer o público, eles não perderiam a chance de conversar com a turma lá de cima para garantir a emoção de que a Fórmula 1 precisava, e ainda não havia aparecido no Albert Park. E tem que se dar o devido desconto se o GP da Austrália acabou decidido sem grandes mexidas na pista, não dá para chegar de uma hora para outra e corrigir todos os pecados que a categoria máxima do automobilismo mundial apresentava, a coisa requer um certo trabalho, São Pedro é requisitado para outras missões até mais nobres.

Toda a brincadeira na introdução para chegar a uma conclusão que parece inevitável: não existe, como talvez nunca tenha existido, temporada que agrade do começo ao fim, que não tenha vez por outra corridas sonolentas ou definições nos boxes, sem contar que, mais do que nunca, o lugar dos melhores é na frente. Antes havia um motor Cosworth V8 e quem fosse mais eficiente nos detalhes levava. Agora alinhar um carro no circo é missão tão complicada que não dá para querer equilíbrio digno de Nascar.

Nesse aspecto, nem há o que reclamar diante do que poderia ser. Se o fio da meada fosse puxado de onde parou, teríamos Lewis Hamilton passeando da Austrália a Abu Dhabi, com tempo de sobra para cuidar do cão Roscoe e participar de todos e mais alguns eventos pops pelo mundo. Seria campeão na Hungria, tal e qual Nigel Mansell, deixando, aos demais, as migalhas.

E, por enquanto, chuva ou não, não é o que vem acontecendo. Especialmente considerando que Valtteri Bottas ainda não consegue ser a sombra do britânico, capaz de repetir o que era comum nos últimos anos, com a dupla prateada dominando a primeira fila no grid e, com isso, transformando praticamente cada GP num duelo, quando muito.

Pode até ser desnecessário providenciar água do céu sempre para movimentar as provas, desde que se leve em conta que há pistas que tradicionalmente favorecem as disputas, e outras menos. E como mostraram as 56 voltas de domingo, o grande barato agora está nas curvas, não nas retas. Enquanto houver disposição em arriscar e enquanto os comissários não estragarem o espetáculo, emoção haverá, em doses maiores ou menores. Que não seriam as novas regras a solução de todos os males, capazes de fazer com que corridas em Barcelona ou no México sejam tão interessantes quanto as do Canadá ou de Silverstone era algo claro, só não viu quem não quis. E o GP do Barein já mostrou, nem faz tanto tempo assim, que bastam dois pilotos de talento com equipamento semelhante para transformar o período entre largada e bandeirada numa apneia coletiva, o risco do toque sempre próximo e jamais concretizado, a briga justa e dura, como deve ser. E a turma da Liberty Media poderá se preocupar com outros aspectos do espetáculo sem esperar que as torneiras se abram ao menos em algum momento do fim de semana.

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