Sobre caras bacanas e comportamentos chatos (Coluna Sexta Marcha – GP da Rússia)

Sim, é possível ter emoção sem ultrapassagens, como demonstraram as 52 (51, vai…) voltas do GP da Rússia que, antes de mais nada, provaram que o sistema de largada da Ferrari já foi o melhor, mas atualmente nem tanto e que sair da segunda fila pode ser sinônimo de vitória. E a perseguição de Sebastian Vettel a Valtteri Bottas foi daquelas de prender no sofá, algo que parecia inevitável, e acabou sendo. O alemão tinha mais carro, maior capacidade de manter o rendimento dos pneus e… não passou. Com o circo ganhando seu 107º vencedor, o terceiro só este ano.

Aliás, cabe um parêntese sobre a Ferrari e os Pirelli: uma ilustração do genial Giorgio Piola mostrou como os carros do alemão e de Kimi Räikkönen dispõem, no volante, de um comando para regular o nível de grip. De que forma funciona que não desrespeite o regulamento é algo que toda a Fórmula 1 se pergunta. Mesmo porque já existem mapeamentos de torque e regulagens de mistura que poderiam proporcionar efeito parecido.

O que fica da visita anual a Sochi, no entanto, é a postura equivocada que alguns pilotos resolveram seguir e que não era parte de seu repertório. O vencedor, Bottas, assim como Felipe Massa ou o francês Romain Grosjean é da turma dos boas-praças, de quem você não esperaria nenhuma reação intempestiva ou palavrão pelo rádio, muito menos alguma insinuação de que o carro do companheiro é mais rápido e melhor.

Não vem sendo o caso com Lewis Hamilton, e não é de hoje. No ano passado, o leitor há de se lembrar, ele reclamava da troca de seus mecânicos com os de Nico Rosberg, reclamou da quebra na Malásia e passou a usá-la como justificativa para o título do alemão, como se não fosse algo típico das corridas. Não quis lembrar que atirou o carro no do companheiro em Barcelona. E no fim de semana na terra de Vladimir Putin voltou a se queixar do comportamento do carro, a insinuar que a corrida discreta tinha explicação técnica, quando o companheiro de equipe passava pelo mesmo problema.

De Max Verstappen eu já havia falado – e  que curioso que, sem ser “atrapalhado” pelo brasileiro como jurou ter sido no Barein, largou atrás da Williams, também fazendo uma prova incolor. Mas quem vem impressionando pelo azedume é justamente o maior crítico do prodígio holandês, sua majestade Sebastian Vettel. Desde a última temporada, ele resolveu deixar de lado o politicamente correto para entupir os microfones de bips (sinônimos de palavrão), críticas à direção de prova e agora aos retardatários. Foi justamente Massa o alvo dos impropérios e do dedo do meio mostrado para todo o mundo. Felizmente a própria imprensa italiana, mais apaixonada e ferrarista do que qualquer outra coisa, puxou a orelha do tetracampeão, lembrando que ele não perdeu a corrida na última volta e teve oportunidade para ser mais rápido antes.

Não combina com um cara que, até os últimos anos na Red Bull, quando o vi pessoalmente pela última vez, era solícito, humilde e capaz de interromper a caminhada do escritório ao carro para um treino que já havia começado só para atender o pedido de autógrafo de uma criança. De tanto insistir, o lado chato vai acabar superando o de quem é capaz de “walk like an egyptian”, como fez no alto do pódio do Barein. E mais do que nunca a F-1 precisa de caras bacanas e posturas idem, não o contrário…

Anúncios

Um pensamento sobre “Sobre caras bacanas e comportamentos chatos (Coluna Sexta Marcha – GP da Rússia)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s