Nem precisava do Thomas (Coluna Sexta Marcha: GP da Espanha)

Sim, daqui a 10 anos, quando alguém lembrar do GP da Espanha de 2017, provavelmente se referirá à prova como “aquela em que o pequeno torcedor da Ferrari chorou e acabou consolado no paddock pelo próprio Kimi Räikkonen. Sou obrigado a concordar que a cena, de tão marcante, parece ter sido encomendada – lógico que estou brincando, ninguém poderia imaginar que um dos carros vermelhos ficaria tão cedo pelo caminho, mas pelo visto a turma da Liberty Media tem o santo ainda mais forte que o de Bernie Ecclestone, que, aliás, estava em Montmeló.

Eu também ficaria com o choro do pequeno se a corrida tivesse honrado a tradição recente, de duplas de carros da mesma equipe compondo as filas do grid e o mais forte (da temporada) vencendo com os dois pés nas costas. Mas, surpreendentemente, a nova Fórmula 1 que parecia fadada a ser ainda mais pão-dura em ultrapassagens que a antecessora proporcionou um domingo movimentado pelos lados de Barcelona. Com uma equação que incluiu largada agitada, disposição em lutar por posições maior que a de costume (tanto mais que os comissários resolveram manter a benevolência), estratégias diferentes e uma ajudinha de Stoffel Vandoorne, que ainda não se deu conta da diferença absurda de velocidade entre sua McLaren e qualquer outro rival.

E não dá para falar em sono ou falta de atrativos numa prova que começou puxada por Lewis Hamilton, tinha Sebastian Vettel na frente já nos primeiros metros, teve dividida de curva de gente grande entre os dois na saída dos boxes (viril, mas de corrida); um drible sensacional do alemão em Valtteri Bottas e terminou com o dono do carro 44 recebendo a bandeirada em primeiro, ofegante, tal o esforço. Melhor ainda, encolhendo para seis pontos a diferença para o ferrarista.

Considerando que a Red Bull andou para trás quando a criatividade e a genialidade de Adrian Newey sugeriam o contrário (não é ele quem fala que as mudanças radicais nas regras são o momento ideal para fazer a diferença?), pelo visto, temos um duelo na ponta. O que já seria mais do que suficiente para garantir a emoção para a temporada, considerando-se que são, ao menos, quatro candidatos a vencer corridas.

O sétimo lugar de Pascal Wehrlein não só confirma o talento do outro alemão como mostra que a Sauber, apesar de manter a unidade de potência Ferrari do ano passado, conseguiu fazer um carro digno, não necessariamente sinônimo de fim de pelotão, como se imaginava. E de Fernando Alonso chega a dar pena – ao menos o asturiano prova a teoria de que, nos tempos atuais, pouco adianta um piloto sensacional em um carro medíocre.

Considerando que a próxima parada do circo é Mônaco, onde não faltam surpresas e roteiros pouco comuns, fica claro que as novas máquinas são capazes de proporcionar espetáculo mais do que razoável. Por enquanto, os novos donos do brinquedo podem se concentrar na embalagem, já que a qualidade do produto tem agradado. Se continuarem com a sorte de flagrantes como o do pequeno Thomas e, acima de tudo, souberem capitalizar o que ocorre em volta da pista, essa F-1 vai ser, literalmente, um show.

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