O piloto certo e o piloto “errado” (Coluna Sexta Marcha: GP de Mônaco)

Lógico que uma coluna que se preze sobre o GP de Mônaco não poderia deixar de lado o que se passou do outro lado do Atlântico, mesmo porque toda a movimentação extra em torno das 500 Milhas de Indianápolis foi iniciada por um “certo” Fernando Alonso e, querendo ou não, quem cruzou a linha de chegada à frente no oval mais famoso do mundo foi um piloto com passado no circo, assim como havia sido o caso com Alexander Rossi em 2016. Brincadeiras foram feitas várias, mas é impressionante como, também nos EUA, o asturiano viu suas expectativas terminarem graças aos caprichos do motor Honda, caprichos esses que pouparam a máquina de Takuma Sato, no fim das contas, companheiro de time do bicampeão mundial. E tanto pior na capital de Indiana que Alonso, diferentemente de Barcelonas e Bareins, era candidato fortíssimo à vitória depois do que mostrou ao longo do mês (e das 179 voltas em que esteve na pista).

Dito isso, lógico que para o bem do esporte o primeiro triunfo espanhol nas 500 Milhas teria sido sensacional e poderia marcar uma mudança de paradigma no futuro do automobilismo, mas, entre os 32 pilotos “errados” a poder levar a melhor, Sato era o mais certo. Afinal, faltava aos japoneses dar mais este passo, eles que foram sinônimos de tantas piadas e brincadeiras, como se não fossem rápidos e bons o suficiente. Já venceram Le Mans, foram ao pódio na F-1 (o próprio Sato-San), mas Nakajimas e Katayamas ainda eram motivos de risadas. E existe na estreita pista (é um bocado, bem mais do que parece na TV) uma certa magia, uma energia que costuma dar e tirar na medida certa. Sato liderava no início da penúltima volta em 2012 quando acabou rodando na Curva 1 e abrindo caminho para o triunfo de Dario Franchitti. Desta vez, nada de surpresas desagradáveis e o leite (semidesnatado, diga-se de passagem) à espera depois do Brickyard.

Mas, como eu dizia, teve Mônaco, e chega a ser absurda essa perseguição à Ferrari por, supostamente, permitir que Sebastian Vettel levasse a melhor sobre Kimi Räikkönen e ampliasse a vantagem sobre Lewis Hamilton. Alguém ouviu uma ordem pelo rádio do tipo “Kimi, Sebastian é mais rápido que você?”. Ou placa, ou mensagem subliminar, codificada, diferença absurda no tempo de parada nos boxes? Sim, eu sei que por longos anos nós, brasileiros, questionamos, e muito, decisões em que Rubens Barrichello e Felipe Massa foram prejudicados mas, como diz o outro, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

Basta ver que, nos três anos de dupla, sem qualquer tipo de favorecimento, o placar soma seis vitórias para Vettel, contra nenhuma de Räikkönen. Se você fosse dirigente do Cavallino Rampante e tivesse que apostar em uma das metades do time em meio a um duelo que promete ser tão acirrado, acreditaria no finlandês? Eu não, por mais que saiba que ainda é um senhor piloto. Pela fase, pelo retrospecto, pela temporada, o alemão tem que ser “o” candidato. E o mais engraçado é ver Hamilton se meter na história, como se tivesse algo a ver com isso. O que quer que a Ferrari tenha feito, desde que dentro das regras, é problema exclusivo dela. Reza a lenda que a melhor forma de combater jogos de equipe é se colocar entre os adversários para tornar qualquer manobra inviável. Como os carros vermelhos sobraram no fim de semana, a Mercedes que durma com um barulho desses.

E da sensação de andar de moto na banheira de casa, como uma vez tão bem definiu Nelson Piquet, Mônaco é isso mesmo. Não dá para ultrapassar, não se espera emoção dos duelos, mas os guard-rails que parecem encolher quando da passagem dos carros; as trajetórias milimetricamente desenhadas desafiando a física e a lógica, valem os olhos grudados na tela da TV ao longo de quase duas horas. É de se concordar com Toto Wolff quando diz que é muito diferente dos vários “estacionamentos de supermercado” que povoam o calendário da “Máxima”…

 

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