Quando muito pode ser demais

Engana-se quem acha que o fenômeno que envolve as corridas de caminhões no Brasil é único e exclusivo destas bandas – dois campeonatos que seguiram rumos distintos e dividiram forças e interesse (e olha que a nova Copa Truck tem tudo para levar a melhor sobre a F-Truck original, que agoniza com grids mínimos e um nível técnico mais baixo). Basta lembrar do que se viu há não muito tempo atrás nos Estados Unidos, com CART/Champcar x IRL e Grand-Am x American Le Mans Series. O tempo mostra que só quando há uma fusão ou o mais fraco arrebenta a corda o cenário começa a ficar mais favorável em todos os aspectos – cobertura, patrocínios, participantes.

Na primeira semana deste ano eu mostrei o projeto de uma nova categoria na Austrália que, na verdade, seria um mergulho no passado: a F-Thunder 5000, com motores V8 Ford e chassis Swift semelhantes aos usados na penúltima geração da F-Nippon (agora Superformula). Uma forma de retomar os tempos de glória especialmente nos anos 1970, quando os herdeiros “espirituais” de sobrenomes como Brabham e McLaren batiam rodas nos circuitos da Oceania e muita gente boa de outros países se juntava à brincadeira. Foi F-Tasman, F-Pacific, o nome era o que menos importava. E ainda era uma ótima alternativa de preparação ao rigoroso inverno europeu.

Muito legal, digna de elogios e capaz de atrair bastante interesse… não houvesse uma série “rival” surgindo ao mesmo tempo, a Super 5000. Ainda por cima com as bênçãos dos organizadores da V8 Supercars australiana que, você há de saber, é “a” categoria no país “Down Under”. Pois graças a duas empresas: Payce Consolidated e Wilson Security, a também australiana Supashock Racing Engineering não só desenvolveu o próprio chassi em fibra de carbono, como deu a ele uma embalagem bem anos 1970 (na prática é como se você olhasse o modelo atual e visse a reencarnação total das máquinas daqueles tempos. E colocou na traseira os mesmos propulsores dos Supercars. Com a promessa de que, se realmente decolar, fará parte do pacote que  terá ainda as Super UTEs, as picapes que o blog já mostrou…

Aí é que está o problema: Chris Lambden, idealizador da Thunder, diz que o campeonato sai se vender ao menos 12 chassis, em parceria com outras categorias aussies. Enquanto isso, a turma da Super 5000 sonha em ter 20 máquinas no seu grid (a US$ 300 mil cada). Só que quem conhece o cenário da terra de Alan Jones e Mark Webber lembra que até o campeonato local de F-3 não decolou por falta de pilotos, e seria necessário um apoio monstro para pelo menos uma das novas categorias vingar. Gostou do carro? Ou prefere a versão “menos retrô” da Thunder. Eu fico com o “Trovão”, embora aplauda as duas iniciativas… Aguardemos os próximos capítulos.

O Super 5000

O Thunder

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