Nas ondas do rádio (Coluna Sexta Marcha – GP do Canadá)

E pensar que eu já praguejei as conversas pelo rádio entre equipes e pilotos no Mundial de Fórmula 1 e defendi a decisão da FIA de, a uma dada altura na temporada passada, limitar rigorosamente os diálogos, para tentar impedir que os boxes ajudassem a fazer o que deve ser atribuição de quem está ao volante.

Sim, porque a grande estrela nas 70 voltas pelo desafiador traçado provisório da Ilha de Nôtre-Dame, em Montreal, não foi Lewis Hamilton e sua corrida tranquila rumo ao sexto sucesso em terras canadenses; muito menos Sebastian Vettel e sua recuperação bastante bem sucedida considerando o estrago sofrido na (péssima) largada. Também não foi o francês Esteban Ocon, ou Fernando Alonso, ou Lance Stroll. Foram… as conversas pelo rádio, que transitaram entre o hilário e o polêmico, esquentaram um GP que, na pista, acabou não sendo tão movimentado quanto de costume.

O que dizer por exemplo de um Kimi Räikkönen desesperado para entender o comando que o engenheiro lhe passava na tentativa de evitar que os freios fossem para o espaço. “Mas é DD42, D4 ou o quê?”  Fernando Alonso já se tornou habitué no assunto, ele que aproveita a audiência planetária para descarregar toda a ira contra um equipamento abaixo da crítica que a McLaren lhe oferece. “Não tente encurtar as mudanças de marcha da terceira para a quarta”. “E quando eu estou fazendo isso, alguém pode me dizer?” Ou o “a diferença de velocidade para os outros carros está perigosa”, comentou o asturiano que, ano passado, no Japão, chegou a afirmar que seria mais rápido se estivesse com um carro da GP2.

Kevin Magnussen foi chamado de louco não por um, mas por alguns de seus adversários, e com alguma razão. Razão que não teve o outro piloto da Haas, Romain Grosjean, ao querer culpar o inocente Carlos Sainz pelo toque que provocou um strike do qual Felipe Massa foi a outra vítima. E Daniil Kvyat retomou a temporada de tiro aos comissários ao questionar uma punição que considerou equivocada, dizendo que a turma de Charlie Whiting pensa estar lidando com um bando de motoristas de táxi.

Mas nada se comparou a uma disputa pelas ondas e microfones envolvendo a dupla da Force India. O abusado Ocon queria, de qualquer modo, que Sergio Perez abrisse caminho para que ele tentasse atacar Daniel Ricciardo, algo que o mexicano não conseguia. Pediu, primeiro com educação, depois começou a chutar o balde, conseguiu o que queria mas, quando a mensagem foi repassada para o companheiro, veio a resposta no mesmo tom. “Me deixem atacá-lo, logo virão os retardatários e eu terei a chance de tentar”. Os coitados dos engenheiros começaram a fazer as vezes de moleques de recados e, como nada mudou até a bandeirada, um indignado Ocon despejou sua ira contra o time. “Assim não dá para correr, fui impedido de chegar ao pódio, essa situação tem que mudar”.

Lógico que, com a cabeça fria e as inevitáveis reuniões após a corrida, o tom fica mais ameno, surge aquela história de “não era bem o que eu queria dizer”, os pedidos de desculpas, mas eu duvido que a turma da Liberty Media tenha achado ruim. Claro que não vamos chegar aos extremos da Nascar, em que a troca de sopapos e as vinganças ainda na pista estão na ordem do dia, mas tudo o que a turma do marketing pode querer é polêmica, um  bocado dela para quando a ação na pista não estiver à altura. E, quer saber? Foi o grande barato da prova mesmo. Se as ordens de equipe são proibidas, ninguém disse que a desordem também está. A F-1 agradece…

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