Rumo ao pico mais famoso do automobilismo

Quem me conhece há um bom tempo ou segue o blog com uma certa frequência sabe do fascínio exercido pela Subida de Montanha Internacional de Pikes Peak (PPIHC) neste que escreve. A ponto de ter me levado até o pico desbravado pelo Tenente Zebulon Pike no coração do Colorado, em 2014, em meio a um bocado de neve e vento, que me impediram de ir além do segundo terço do percurso, a uns razoáveis 3.600m acima do nível do mar – a linha de chegada está a 4.300m. Ainda que motorizado, não fiz qualquer tipo de gracinha, por mais que desse vontade, mas pude ter uma noção exata do que é o risco e o tamanho do desafio morro acima, ao longo das 156 curvas e dos 19.900m de prova.

Pois chegamos nós a mais uma edição  do desafio, a 95ª, com o traçado todo asfaltado, é bem verdade, mas diante de dificuldades como os penhascos nada convidativos, os detritos jogados pelo vento; o próprio vento que, dependendo da situação pode chegar a velocidades assustadoras, ou mesmo alguns dos integrantes da fauna local (alces e marmotas, por exemplo) que gostam de andar pelos caminhos mexidos pelo homem, eles que estão em uma reserva natural. Como nas 500 Milhas de Indianápolis, as 24h de Le Mans ou o GP de Mônaco, o tempo pode ter mudado algumas características, mas não tirou o fascínio, o frio na barriga de quem se dispõe a medir a habilidade contra o cronômetro morro acima.

Nunca é demais lembrar a história que me foi contada pelo engenheiro Adam Schaechter, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da picape Toyota Tacoma que venceu a subida em 1998 e 1999, com o neozelandês Rod Millen. “O regulamento da prova é o menor que eu já vi em qualquer categoria. Uma folha de papel, e só. Basta obedecer às exigências de segurança e o resto é com a criatividade (e o bolso). Fatores que, unidos ao talento extraterrestre de Sebastien Loeb, garantiram o recorde que dificilmente será batido (8min13s878), em 2013, com um protótipo Peugeot 208.

Pois se um dos grandes baratos da prova são as máquinas bastante características, nesse ano duas chamam especialmente a atenção. O versátil Romain Dumas, duas vezes vencedor (além das conquistas nas pistas, nas 24h de Le Mans, Spa, Nurburgring e tantas outras) resolveu desenvolver o protótipo Norma M20FC, que ganhou uma aerodinâmica totalmente revista, com asas mais do que generosas para garantir o máximo de apoio aerodinâmico. O motor Honda 2.0 turbo também ganhou cavalaria extra para garantir o tri, de preferência com um tempo abaixo dos 8min51 que são a melhor marca do nativo de Alés.

Outra atração é o Enviate Hypercar, que tem uma história curiosa: Cory Loveland tinha um chassi tubular pronto, mas faltava a “embalagem”, que veio com o projeto do engenheiro francês Sebastien Lamour (os franceses realmente veneram a subida). Um V8 Corvette LS3 6.2 turbinado entregando até 700cv nas costas do piloto (Paul Gerrard), uma aerodinâmica cuidadosamente cuidada também com asas tamanho XXXG e a intenção de fazer bonito já na primeira participação. Tem muito mais, de Camaro 1969 ao elétrico Faraday Future (que subirá na classe de exibição). Mal passou a excitação pelas duas voltas do relógio no circuito da Sarthe e já é hora de escalar o morro. Mais uma página de uma história especial das que só o automobilismo sabe proporcionar…

Norma M20FC RD

Enviate Hypercar

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