Coluna Sexta Marcha (1ª parte): porque me ufano da F-2

Longe de mim dizer que, de agora em diante, temos um representante garantido para quando Felipe Massa não mais estiver no grid. E não digo isso por conta do talento de Serginho, de sua capacidade de aprender e, humildemente evoluir – muito antes pelo contrário. Mas com apenas 20 carros e poucas mexidas de ano a ano, é óbvio que um Lance Stroll ou um Sean Gelael, indonésio cujo pai é dono das franquias do KFC (frango frito) em toda a Ásia sempre chegarão na frente na corrida por um lugar. Seria ótimo se o futuro do mineiro dependesse apenas e tão somente dele, do que é capaz de mostrar na pista. No ano passado, em seu primeiro contato com um F-1 atual (a Toro Rosso STR11, nos testes de novatos de Silverstone), ele fez muito mais do que se esperava.

Aí você vai dizer: tá, mas a Red Bull o incluiu em seu programa de jovens pilotos, para um ano depois agradecer e dar adeus. Ok, é verdade. Mas e seu contar que o atual líder do Europeu de F-3, Calum Ilott, passou pela mesma situação? Lá a paciência é pouca, a cobrança muita, e o marketing também pesa.

Felizmente (e eu sei que já contei a história, mas a ocasião vale repeti-la), eu conheço esse moleque dos tempos em que tinha um kart F-400 para brincar e, ao chegar na pista de Betim, lá estava um ‘pivete’ de sete anos que precisava de taquinhos de madeira nos pedais para que as sapatilhas os alcançassem. Alguém que se dedicou a um sonho e que, felizmente, viu sua primeira vitória no comando de um monoposto vir não caída do céu, mas arrancada com muita força no volante, frieza, talento e maturidade. Que até Barcelona jamais havia feito um pitstop, uma troca de pneus ou experimentado o efeito de um DRS aberto numa circunstância de corrida. E sofria para andar no ritmo do restante do pelotão.

É impressionante como tem gente que vaticina que ele não merece; que não é talentoso o suficiente; que não vai chegar, como se apenas os títulos contassem. Talvez não lembrem que, no ano passado, duas poles na F-3 evaporaram devido à punição por quebra de motor; que nesse ano uma trapalhada da MP Motorsport (que seria no máximo uma Haas no grid da F-2) estragou a segunda posição de largada na Áustria, o que muito provalvelmente adiantaria ao menos o pódio que chegou em Spa, e logo no degrau mais alto.

E vamos combinar que, para 2018, realmente não haveria como, mesmo porque, como já comentei, o grid não vai espichar. Mas quem sabe em 2019, com times novos no horizonte, mais bagagem e vitórias, não seria nem de longe um absurdo. Se não vier, pode ter certeza de que ele vai fazer bonito aonde for possível: F-E, DTM, Mundial de Endurance, Indy, Superformula (Japão) ou o que mais pintar. O mais importante da história é que, antes de seguir formando pilotos para a F-1, o Brasil tem que seguir revelando bons pilotos, que nos dêem orgulho lá fora. E isso esse moleque já dá tem muito tempo. Tomara que cada vez mais…

Fotos: Sebastiaan Rozendaal