Let’s get ready to rumble (Coluna Sexta Marcha: GP dos EUA)

Sim, o blog deu uma hibernada, por não outro motivo que não fosse a correria, mas retorna aproveitando a deixa do GP dos EUA de Fórmula 1. Uma corrida, digamos assim, bastante diferente, a começar pelo esforço da turma da Liberty Media em aproximá-la do público. De um público, aliás, que surpreende a cada ano. Não sei se Tavo Hellmund, que tirou do papel a ideia de construir um autódromo de primeira linha em Austin, no Texas, imaginava que a prova traria tamanho sucesso num país em que a Nascar manda em termos de atenção quando falamos do esporte a motor.

Pois em nome de sua majestade, o torcedor (agora é assim, nos tempos de Bernie Ecclestone também era, mas o torcedor endinheirado e disposto a gastar muito), modificou-se todo o protocolo que antecedia o GP. A bem da verdade, nenhuma grande novidade considerando-se o que já se faz na terra do Tio Sam. Há dois anos, por exemplo, coube a Bruce Buffer, o mais novo da dupla de locutores de lutas, apresentar um a um dos pilotos da Stock Car na grande decisão de Homestead (no fim de semana foi a vez de Michael, com o inconfundível bordão “Let’s get ready to rumble”, dos principais combates do boxe profissional).

E algo parecido se faz desde que o mundo é mundo em Indianapolis, com sobrevoo de jatos militares e um representante das Forças Armadas cantando o hino à capela, além do já lendário “gentlemen, start your engines”. Há quem considere brega, norte-americano demais, eu até acho interessante, especialmente ao vivo, e ainda mais especialmente se feito só nos EUA. Sem contar os riscos de passar dos limites, pondo a turma de sombrero no México ou com passistas de escolas de samba no lugar das grid girls em Interlagos (olha que nosso ritmo já foi várias vezes parte do espetáculo).

Dito isso, a essa altura Lewis Hamilton dorme sonos de alívio, ele que imaginou que teria de suar sangue para finalmente chegar ao tetra, num ano em que a oposição não está na equipe, mas na Ferrari. Coincidência ou não, as coisas começaram a azedar para o time de Maranello a partir daquele episódio em Baku, quando Sebastian Vettel atirou o carro sobre o do rival durante uma neutralização, ao mesmo tempo em que a Mercedes, acostumada a dominar, deu uma aula de como reagir com o placar desfavorável, sem pânico.

Vieram os acidentes na largada, as punições por trocas de componentes, as velas falhando, e hoje o sonho vermelho voltou a se transformar em quimera. Como aliás, se viu em Austin, depois de uma largada sensacional e de um domínio que não durou mais que seis voltas. E olha que as 56 de domingo foram agitadas mais que o costume, com muitas brigas boas pelo pódio e no pelotão intermediário, ajudadas pelas configurações do circuito (aliás, o austríaco Alex Wurz faz questão de lembrar que foi ele, e não Hermann Tilke, a conceber a imensa curva após a subida dos boxes, que permite a quem é atacado se defender e, muitas vezes, dar o troco).

Pois num GP de Usain Bolt, Michael Douglas e Bill Clinton, mais uma vez quem deu o que falar foi Max Verstappen. Que deveria, no mínimo, guardar para si a opinião sobre os comissários e a punição aplicada pela ultrapassagem sobre Kimi Räikkönen na última volta, que valeria o terceiro lugar, depois transformado em quarto. Chamá-los de idiotas deveria valer muitos pontos perdidos na carteira, independentemente do lado em que a razão está.

Meu lado emocional com certeza pulou da cadeira ao ver o ataque decidido do moleque diante da resistência da raposa finlandesa – assim devem ser as corridas da categoria. Por outro lado, se em qualquer outra chicane da temporada cortar caminho e se beneficiar disso exige devolução da posição, não pode ser diferente só porque foi sensacional. E o lado racional entende os cinco segundos a mais no tempo. Alguém lembrou, e com razão, que desde os tempos do kart o holandês tem comportamento de menino mimado que teve o brinquedo tomado. A culpa sempre é do outro e a humildade para reconhecer os excessos passa longe, o que não é nada bom. Daqui a pouco, a antipatia entre os pares será geral, e a torcida cada vez mais restrita aos compatriotas. Sem alarde, o espanhol Carlos Sainz vem fazendo muito mais do que se espera e pode chegar antes ao que Verstappen Jr. almeja.

Falando em Sainz, chega a ser hilária a presepada da Red Bull/Toro Rosso, que revelou Vettel, Ricciardo e o espanhol, em busca de um substituto para o ausente Pierre Gasly. Teve de recorrer a um ex-apoiado (por sinal, ótima escolha), o neozelandês Brendon Hartley, que prossegue no México. Enquanto isso, outros ex vencem corridas nas mais variadas categorias e começam a integrar programas de jovens talentos dos rivais. Vai entender…

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