A Lewis, o que é de… opa, olha o holandês (Coluna Sexta Marcha – GP do México)

Eu confesso que, ao acompanhar a largada do GP do México no calor do momento, me veio a vontade de xingar Max Verstappen pela confusão que levou bico de um, asa de outro, e abriu caminho para o triunfo “entediante” do holandês da Red Bull, num domingo em que isso passaria em segundo plano. Mas, vendo com calma, ficou claro que, se mostrou alguma coisa no incidente, foi a malandragem de quem nada tinha a perder e, diferentemente das ruas de Cingapura, viveu um desfecho positivo.

A corrida no Circuito Hermanos Rodríguez foi interessante para rever alguns conceitos: antes de mais nada, o de que a combinação entre uma reta quilométrica e o acionamento do DRS são obrigatoriamente sinônimo de ultrapassagem. Quem conseguiu se defender de forma digna muitas vezes levou a melhor na freada – e tudo bem que Hermann Tilke deu seus pitacos na reformulação do traçado, mas o desenho básico é coisa antiga.

Como chega a ser curioso que os próprios pilotos comecem a defender o retorno das boas e velhas caixas de brita nas áreas de escape justamente para evitar incidentes (e punições “a la Verstappen”. E as brigas no pelotão intermediário (muito por conta da necessidade de recuperação de Sebastian Vettel e Lewis Hamilton) garantiram a emoção que as distâncias quilométricas lá na frente poderiam estragar.

Mas é lógico que qualquer outro aspecto passaria em segundo plano diante da definição do campeonato, contrariando os prognósticos. Lewis Hamilton e a Mercedes estão de parabéns principalmente por conseguirem “salvar os móveis” quando a Ferrari era a melhor, enquanto o contrário nem sempre foi o caso. Com a modesta autoridade de quem acompanhou ao vivo aquela inesquecível disputa em Interlagos’2008 (de triste lembrança para Felipe Massa e os brasileiros), posso afirmar que as duas conquistas são semelhantes em um aspecto: agora, como então, o piloto de Stevenage não era azarão, mas não sobrava na turma em termos de equipamento. Ele e a equipe de Woking adotaram uma surpreendente posição de humildade, reconhecendo a supremacia momentânea dos rivais de Maranello e trabalhando muito para corrigir as deficiências.

E você pode até duvidar (embora eu ache difícil), mas é muito mais recompensador bater não o companheiro de equipe – exceções como Piquet x Mansell e Senna x Prost não contam – mas um adversário tão ou mais forte do que você, liderado por um piloto que, igualmente, fez história. Dizer que Hamilton viu o tetra cair no colo por conta das dificuldades da Ferrari seria injusto até não poder mais. Alguém que vence nove vezes e conquista impressionantes 11 poles num ano em que cinco pilotos foram ao degrau mais alto do pódio merece, e muito (e olha que ainda há duas corridas para melhorar as estatísticas).

E tudo bem que teria sido bem mais emocionante um final em Abu Dhabi, mas o dono do carro 44 nada tem com isso. Ele está no auge da forma apesar dos cachorros, das festas, das viagens, eventos e das redes sociais. E não há garantia de que tornará seus números ainda mais impressionantes, igualando-se a um “tal” de Juan Manuel Fangio e o deixando para trás, mas também não há nada que sugira que não possa acontecer. Como escrevi na matéria sobre o tetracampeonato no Hoje em Dia, o ídolo de infância Ayrton Senna, lá de cima, com certeza aprovou…

*** Interessante a ilustração feita pela Mercedes para o resultado de seu piloto. Repare como ela inclui a McLaren de 2008 (sim, tinha motores alemães) e segue a silhueta das Flechas de Prata de cada ano. Muito bem bolada…

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