Ridículo, absurdo, repugnante e outras coisas mais…

O blog vem a público dar os parabéns ao xará Rodrigo Dantas, pelos enormes serviços prestados ao automobilismo brasileiro com sua performance nas 500 Milhas de Kart da Granja Viana, prova que completava duas décadas e, como o leitor deve saber, reúne centenas de pilotos brasileiros e estrangeiros, de Felipe Massa e Rubens Barrichello ao também xará e também jornalista Rodrigo França, para quem o evento é uma grande diversão levada a sério.

Imagino que, a essa altura, você já tenha visto o que ocorreu quando restavam apenas 19 de 700 voltas pelo traçado da Grande São Paulo, no que seriam quase 12 horas de desafio. Um choque entre o kart pilotado por Dantas e o comandado por Cristiano “Tuka” Rocha tirou a dupla da pista e deu início a uma tentativa de homicídio por parte do primeiro. Não, não é exagero, basta ver as imagens para constatar que não foi um tapinha aqui ou outro ali; foram vários golpes desferidos com uma violência impressionante, enquanto Tuka, que não tem sangue de barata, tentou se defender e revidou, mas apanhou muito mais que bateu.

Coisa muito pior do que os entreveros vistos na Nascar, que lá acabam passando quase em branco porque o público vai ao delírio, mas que em qualquer evento automobilístico sério não podem ocorrer. Basta lembrar o caso do inglês Dan Ticktum, vencedor do último GP de Macau e integrante do programa de jovens talentos da Red Bull. Em 2015, ele foi suspenso por dois anos (com um de sursis) pela MSA (a CBA britânica) depois que, durante uma bandeira amarela, ultrapassou vários carros numa prova da F-4 para “fazer justiça com o próprio carro” e atingir deliberadamente o do rival Ricky Collard. E só pôde voltar a acelerar quando o prazo se encerrou.

Não vou entrar aqui no mérito sobre a disputa entre as duas equipes no evento de sábado; se houve ou não ação deliberada na pista de um ou dos dois lados, porque nada disso justificaria reação tão vergonhosa – e seria papel dos fiscais e comissários identificar e punir. Lógico que é ainda pior se há times com karts mais lentos pela pista cuja única função é prejudicar determinados adversários, isso é coisa de Dick Vigarista, não estratégia de corrida, tanto mais numa corrida “festiva”.

Mas a ironia do começo do texto não é tão irônica assim: o “tal” de Rodrigo Dantas (de quem nunca se tinha ouvido falar até agora), e que integrava o time de Massa, fez um estrago muito maior do que se poderia imaginar. Hoje o entrevero está na capa dos principais sites internacionais de automobilismo, e todo o trabalho feito pelos organizadores e pelo Sportv, que transmitiu a corrida na íntegra, foi por água abaixo graças a um cidadão que nem adjetivos merece. Como aliás, nem precisaria de punição qualquer. Precisa sim, é de vergonha na cara para nunca mais aparecer numa pista de corrida, para o bem de quem quer o crescimento e o sucesso do esporte. Ninguém nunca disse que o esporte a motor é um convento de freiras carmelitas, mas o que se viu foi digno de MMA; de Boletim de Ocorrência e de ação judicial. Maçã podre é pra tirar do cesto, não deixar apodrecer o resto…

Aqui você acompanha o vídeo e as cenas lamentáveis (obrigado ao Sportv)

https://globoesporte.globo.com/motor/noticia/em-noite-de-pancadaria-rubinho-vence-500-milhas-de-kart-ao-lado-do-filho.ghtml

Fonte: reprodução/Sportv

 

Anúncios

Os números do circo em 2017. Tem coisa boa e ruim…

A Pirelli não falha. Desde que passou a fornecer pneus de forma exclusiva ao Mundial de Fórmula 1, em 2011, a casa italiana, agora em mãos chinesas, faz questão de, a cada fim de temporada, compilar algumas das principais estatísticas do ano que passou. Algumas coisas são pura brincadeira, como o número de pizzas preparadas, os quilos de pasta consumidos ou o total de tweets postados, mas há bastante coisa mais séria e relevante.

Os cálculos permitiram definir exatamente qual o ganho nos tempos das novas máquinas na comparação com a geração anterior. Na média, 2s540 em condições de qualificação e 2s698 nas corridas, o que bate com a expectativa de organizadores, equipes e da própria Pirelli ao planejar a geração dos modelos com pneus mais largos (e não só eles). Outro gráfico interessante mostra que, em algumas curvas, as velocidades cresceram cerca de 30 quilômetros por hora, tal como também se imaginava.

Só que, a maior resistência dos pneus (pedido dos times), somada ao paredão aerodinâmico criado com as novas regras, que dificulta a aproximação a quem vai à frente e desfavorece as manobras de ultrapassagem, cobraram um preço alto para o espetáculo. Segundo o balanço, foram 435 ultrapassagens nos 20 GPs, ou 47% a menos do que no ano passado. Nas ruas de Sochi, pasme, houve uma mudança de posição na pista, e não mais. O número de pitstops médio passou a 1,5 por corrida, o que é menos do que o ideal para movimentar as estratégias e chacoalhar o andamento das provas.

Como há pouco a fazer em termos das regras técnicas, a obrigação de mudar um pouco o panorama cai novamente no colo dos italianos (e chineses) – a ideia é endurecer novamente cada composto para que haja ao menos dois pitstops por corrida. Vai ser o jeito enquanto não se pensa em modos mais firmes de facilitar a tarefa dos pilotos sem torná-los apenas reféns do DRS. A se aguardar…