O “Haasgate” do Albert Park (Coluna Sexta Marcha – GP da Austrália)

E se o duplo abandono das Haas logo depois de seus pitstops por problemas na fixação da roda traseira esquerda dos carros de Kevin Magnussen e Romain Grosjean fosse, na verdade, uma estratégia para forçar a entrada do safety car e dar, à Ferrari, a chance de conseguir o pulo do gato sobre o então dominante Lewis Hamilton e sua Mercedes?

Fiz questão de começar a coluna sobre o primeiro GP de 2018 com a provocação, já que, depois do que ocorreu na longínqua Cingapura em 2008 (o Cingapuragate envolvendo Nelsinho Piquet e Fernando Alonso), apostar em teorias da conspiração se tornou algo quase inevitável em episódios de corrida “intrigantes”. Mas adianto que não vejo as coisas dessa forma, mesmo porque não seriam necessários problemas nos dois carros da “Ferrari B”, ainda por cima brigando por quarto e quinto lugares.

E já emendo, antes de qualquer outra consideração sobre as 58 voltas no Albert Park: me parece uma questão de tempo (e de encontrar uma justificativa razoável) para que o Halo desapareça do cenário. Em meio a tanta coisa que poderia somar pontos favoráveis à F-1 – e uma delas foi o mais do que acertado sistema de caracteres e informações durante a prova, bem como a apresentação da corrida e a criação de um tema musical que casou bem com a categoria – a presença do “chinelo de dedos” sobre os cockpits se mostrou desastrosa sob quase todos os aspectos. Dificulta a visualização do torcedor, dificulta a tarefa de sair e entrar no carro, esconde capacetes e patrocinadores e estraga o visual das máquinas. Sem ainda a garantia de que é indispensável para evitar acidentes trágicos.

No material de apresentação da temporada para o jornal Hoje em Dia (http://hoje.vc/1gruh), destaquei que de nada adiantaria um espetáculo fora da pista mais atraente se a movimentação dos carros não estivesse à altura. E o que se viu nas terras australianas não trouxe muitos motivos para otimismo. Senão vejamos: uma corrida definida por um lance fortuito, em que quem estava na frente acabou superado por um “erro de cálculo” e não conseguiu reverter a situação, entre outras coisas, pela necessidade de poupar a unidade de potência. Sem contar que nem mesmo três áreas de acionamento da asa traseira móvel (DRS) trouxeram tantas ultrapassagens quantas eram esperadas.

Será que uma vez mais teremos o desfecho das corridas (e do campeonato) definido pelos problemas de uns e outros; por punições e abandonos? Até mesmo os retardatários (poucos) perdem boa parte de sua importância na brincadeira com a adoção de medidas que os obrigam a sair da frente ao menor aviso. Longe de mim querer ser profeta do apocalipse, tanto mais que foi apenas a primeira de 21 etapas, mas, como os italianos gostam de dizer, “il buongiorno si vede dal mattino” (o bom dia se vê já pela manhã), o contrário também pode ser verdade. Tomara que não…

 

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