Um pedaço de história à venda. Se eu pudesse…

Se um dos grandes baratos da história do automobilismo é a inovação, alguns modelos se tornam lendários por abrir caminhos e propor novidades, ainda que nem sempre bem-sucedidas. Foi assim que, por exemplo, a Tyrrell de seis rodas, a Lotus 72, o protótipo Chaparral ou a Porsche 917 se tornaram clássicos – é lógico que a lista é muito maior e renderia vários posts.

Pois uma dessas máquinas, ainda por cima exclusivas, está à venda, à disposição de quem tem muitas centenas de milhares de dólares na conta – o valor exato eu juro que tentei obter mas, ao me identificar como jornalista (comprador é que não seria), fiquei sem resposta.

Trata-se do chassi 001 do Deltawing de carroceria fechada, último representante de uma dinastia cuja história merece ser contada nesse espaço. Tudo começou quando um consórcio liderado por Don Panoz, com a ajuda de Dan Gurney e da Highcroft Racing elaborou um projeto (concebido por Ben Bowlby) para que o poderia ser o novo monoposto da Indy. A proposta acabou superada pelo Dallara DW12 e os idealizadores resolveram então concretizá-lo como um protótipo. Que seria capaz de encarar as 24h de Le Mans compensando a baixa potência com soluções inovadoras, como a falta de asas dianteira e traseira e a forma de delta, que lhe deu o nome. O Deltawing, empurrado por um minúsculo (pequeno mesmo ) 1.6 turbo (fornecido pela Nissan, que se tornou parceira) foi o primeiro a disputar a prova como parte da Garagem 56, iniciativa destinada a projetos inovadores, que não se encaixassem nas regras.

Em 2012, ele alinhou na prova e fazia uma figura mais que razoável quando acabou atingido pouco depois da Ponte Dunlop a ponto de não mais poder retornar. Os japoneses largaram o projeto (e levaram Bowlby para desenhar o Zeod RC que era a cópia-carbono), enquanto Panoz não se fez de rogado. E conseguiu que sua criatura alinhasse na IMSA, com um propulsor de origem Mazda e os pneus Continental no lugar dos Michelin. E como o primeiro chassi na verdade era o monocoque do finado protótipo Aston Martin AMR-One, belo, mas ineficaz, resolveu criar uma versão coupé, que rendeu quatro boas temporadas do outro lado do Atlântico. Sempre bateu na trave, ficou no quase e, no grande dia (as 24h de Daytona de 2016), brigava pela liderança ao ser atingido na Curva 1 sem a menor culpa. Esse, aliás, era o chassi #2, que virou sucata.

Como o #3 está no museu de Don Panoz (ou Donaldo Panucci, como consta na identidade), em Road Atlanta, restou o #1, este que está sendo oferecido. Com direito a kit de peças sobressalente e todo o suporte do time para qualquer evento. E eu apostaria que não vai parar na parede de algum milionário, mas nas provas da série HSR, que reúnem preciosidades como as Porsche 956/962, os Jaguar XJR12 e 14, Pescarolos, Eagle GTP e outros mais. Eu, muito modestamente, ainda espero juntar um Deltawing à coleção… de miniaturas – existem em escala 1:43 e 1:18, não são tão exclusivas e são bem mais acessíveis. Em tempo, caso você se interessem, as informações sobre o modelo de verdade estão no http://www.motorsportauctions.com/category/314/Historic-Race-Cars/listings/37424/Panoz-DeltaWing-Coupe.html

 

 

Muito por aqui e um bocado lá fora (agenda)

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Diante do que está previsto para as pistas pelo mundo para o próximo fim de semana, a parte internacional da agenda está até modesta, o que está longe de dizer que faltam eventos de qualidade. De Mundial mesmo só a Moto GP, em Austin (EUA), mas a Super GT japonesa inicia seus trabalhos em Okayama – e por isso o infográfico da Nissan, atual campeã com a dupla do #1, e que tem o paulista João Paulo de Oliveira como um de seus destaques. Em Misano, começa a série sprint do Blancpain GT, que é um mundialito da categoria, mas não um Mundial, como teve gente querendo fazer crer. E a Nascar faz a festa noturna em Fort Worth, no Texas, onde uma vez a extinta ChampCar iria acelerar, mas os pilotos saíram passando mal do traçado tamanha a Força G e a prova acabou cancelada.

E se lá fora as corridas não são muitas, aqui felizmente elas sobram, sempre comandadas pela dobradinha que reboca o esporte a motor no país – categorias da Vicar no Velopark, em Nova Santa Rita (RS), e F-Truck se despedindo de Curitiba. Bom é constatar que a F-3 tem 16 inscritos sem precisar de sobrenome famoso para ganhar notoriedade e pilotos – hoje é um campeonato forte, profissional e equilibrado, com custos dentro do aceitável para a nossa realidade. A série de Marcas também começa, sem Rubinho Barrichello, mas com nível técnico mais que razoável e promessa de bons pegas. Semana que vem tem mais, muito mais, com a situação invertida. Por aqui pouco, mas lá fora um bocado de coisa boa…

Internacional
Mundial de Moto GP: terceira etapa – GP dos EUA (Austin)
Blancpain GT Sprint Series: primeira etapa – Misano Adriatico (ITA)
Nascar Sprint Series: sétima etapa – Duck Commander 500 (Texas Speedway)
Nascar Xfinity Series: sexta etapa – O’Reilly 300 (Texas Speedway)
Super GT: primeira etapa – Okayama

Nacional
Brasileiro de Stock Car: segunda etapa – Velopark (RS)
Brasileiro de Marcas: primeira etapa – Velopark (RS)
Brasileiro de Fórmula 3: primeira etapa – Velopark (RS)
Brasileiro de Turismo: segunda etapa – Velopark (RS)
Brasileiro de F-Truck: segunda etapa – Curitiba
Brasileiro de Enduro FIM (velocidade): segunda etapa – Patrocínio (MG)
Mitsubishi Cup: primeira etapa – Mogi-Guaçu

Na telinha

Sexta (8)

21h20           Nascar Xfinity: O’Reilly 300                        Fox Sports2

Sábado (9)

14h                Brasileiro de Stock Car (treino oficial)        Sportv

15h10           Mundial de Moto GP (treinos oficiais Moto3/Moto2/Moto GP)              Sportv 3

20h30           Nascar Sprint: Duck Commander 500        Fox Sports2

Domingo (10)

12h30            Brasileiro de Stock Car (etapa do Velopark)        Sportv

12h55            Mundial de Moto GP (GP dos EUA)              Sportv2

13h                Fórmula Truck: etapa de Curitiba                Band